
Todo mês de dezembro é assim. Antes mesmo da ceia ficar pronta, a discussão já começa na cozinha, passa pela sala e termina nas redes sociais: afinal, uva-passa na comida, sim ou não? O pequeno ingrediente, que atravessou gerações e culturas, se transformou em símbolo de uma polêmica que vai muito além do paladar. Ela fala de memória afetiva, tradição, infância, família e, claro, de gosto pessoal.
Como chef, aprendi que a gastronomia também é feita de contrastes. Do doce com o salgado, do clássico com o moderno, do conforto com a provocação. A uva-passa, quando bem utilizada, pode transformar um prato simples em algo especial. Quando mal dosada, pode virar vilã. Mas talvez o ponto mais interessante dessa discussão seja justamente o fato de ela nos reunir à mesa, gerar conversa e provocar sorrisos, algo que combina perfeitamente com o espírito do Natal.
Por isso, resolvi convidar algumas personalidades capixabas para responder, de forma leve e direta, a pergunta que todo brasileiro já ouviu pelo menos uma vez nessa época do ano: de que lado você está?
Time uva-passa: defensores assumidos do agridoce
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, foi direto ao se posicionar:
“Sou da turma da uva-passa. Hummmm, delícia, gente!”
O apresentador Michel Bermudes, da TV Vitória | RecordTV, também não esconde sua paixão pelo ingrediente:
“Eu sou do time que ama uva-passa. Taco em tudo: arroz, sorvete, farofa, sobremesa. Ela tem o dom de solenizar as coisas. Se tem uva-passa, é porque é especial.”
O secretário de Governo da Prefeitura de Vitória, Luciano Forrechi, reforça a tradição:
“Gosto de passas até no omelete. Compro e como puro. Temos tantas outras comidas salgadas que possuem ingredientes doces. Vamos salvar as uvas-passas; afinal, é tradição, não somente no Natal.”
Já o apresentador Fernando Fully, da TV Vitória | RecordTV, associa o ingrediente à culinária das festas:
“Sou um paladar genuíno que adora agridoce, principalmente nessa culinária da virada do ano. Para mim, uva-passa é imprescindível. Gosto demais da conta!”
Time sem uva-passa: preferência clara
Nem todo mundo, porém, se rende ao ingrediente. O deputado federal Da Vitória foi objetivo:
“Sou do time que dispensa a uva-passa. Nada contra, mas deixo para quem é fã. Quem for me chamar para a ceia de Natal não precisa se preocupar com a uva-passa.”
Simbolismo
Independentemente do lado escolhido, o fato é que a uva-passa segue firme como um dos símbolos gastronômicos do Natal, seja para brilhar nos pratos ou para ser cuidadosamente retirada antes da primeira garfada. E talvez esse seja o grande encanto da ceia: reunir pessoas diferentes, com gostos distintos, em torno da mesma mesa.
Que este Natal seja tempo de celebrar a comida, os encontros, as histórias e os afetos que só a gastronomia é capaz de despertar. Com uva-passa ou sem, o mais importante é compartilhar.
E você, de que lado está?
Boas festas e uma ceia cheia de sabor, conversa e significado.