
A virada de ano é considerada o momento certo para se organizar melhor e construir hábitos mais saudáveis. É com essa ideia que o movimento mundial do Janeiro Seco (Dry January) vem ganhando cada vez mais força.
A proposta é simples, mas pode gerar grandes mudanças: passar 30 dias sem beber. O objetivo é minimizar os efeitos das festas de fim de ano, um momento de comemoração em que muitas pessoas acabam exagerando nas bebidas alcoólicas.
Apesar de parecer pouco tempo, segundo o cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, esse período já é o suficiente para entender o impacto da bebida no organismo.
O consumo de bebidas alcoólicas traz prejuízos diretos e cumulativos ao corpo. Não existe uma dose totalmente segura. O que vemos na prática médica são consequências que aparecem com o tempo, muitas vezes de forma silenciosa.
Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD)
Impactos do Janeiro Seco na saúde física
O primeiro impacto pode ser sentido no fígado. Nacif explica que, ao interromper o consumo, o fígado inicia um processo de regeneração, reduz o acúmulo de gordura e melhora sua capacidade de filtrar toxinas. “É como tirar um peso constante do organismo. O corpo responde rápido quando o álcool deixa de sobrecarregar os órgãos.”
Já no caso do sistema digestivo, sintomas como refluxo, gastrite, estufamento e desconfortos abdominais tendem a diminuir. “O álcool irrita a mucosa do estômago e desregula o intestino. Quando ele é retirado, há uma redução importante de inflamações e uma melhora geral da digestão”, destaca Nacif.
Melhora na rotina

Além dos impactos físicos, os efeitos do Janeiro Seco também aparecem no dia a dia. Nacif explica que pessoas que passam um mês sem álcool relatam mais disposição, melhora na qualidade do sono e maior clareza mental.
“O álcool interfere no descanso profundo. Quando ele sai de cena, o sono se torna mais reparador, o que influencia o humor, a energia e até a capacidade de lidar com o estresse”, afirma o médico.
Em alguns casos, a relação com a bebida também pode mudar após esse período sem consumo. “Após 30 dias sem álcool, o organismo costuma ficar mais sensível. Pequenas quantidades já provocam efeitos mais intensos, como mal-estar ou ressaca mais rápida”, explica Nacif.
Por todos esses benefícios, muitas pessoas acabam estendendo o tempo sem bebida alcoólica ou adotando hábitos mais moderados após o janeiro seco.
“Não se trata apenas de um desafio de um mês, mas de perceber como o corpo responde quando é menos exposto ao álcool. Muitas pessoas se surpreendem positivamente e passam a repensar seus hábitos ao longo do ano”, finaliza.