
Com a chegada das férias, especialmente no verão, percebo todos os anos um aumento significativo de atendimentos relacionados a acidentes que poderiam ser evitados. Praias, rios, piscinas e cachoeiras passam a fazer parte da rotina de descanso, lazer e confraternização. No entanto, em meio a esse cenário de descontração, existe um risco grave e muitas vezes subestimado: os mergulhos em água rasa e os traumas na coluna cervical.
Falo não apenas como médico, mas como alguém que convive diariamente com histórias que mudam vidas em segundos. Um mergulho mal calculado, uma brincadeira aparentemente inofensiva ou a falsa sensação de segurança em um local conhecido podem resultar em lesões gravíssimas na região do pescoço, onde se localiza a coluna cervical — responsável por sustentar a cabeça e proteger a medula espinhal.
A coluna cervical é sensivel
A coluna cervical é extremamente sensível. Impactos nessa região podem causar fraturas, luxações e, nos casos mais severos, lesões medulares irreversíveis. Isso significa risco real de tetraplegia, perda de movimentos dos braços e pernas, dificuldades respiratórias e até óbito. Infelizmente, esses acidentes são mais comuns do que se imagina, sobretudo entre jovens e adultos durante o período de férias.
O grande problema dos mergulhos em água rasa é que a profundidade raramente é avaliada corretamente. A maré muda, o nível dos rios varia, pedras e bancos de areia se deslocam. Mesmo piscinas, quando utilizadas de forma inadequada, representam perigo. Saltar de cabeça sem conhecer o local é um dos principais fatores associados a traumas cervicais graves.
Outro ponto de alerta são os mergulhos após consumo de álcool. O álcool reduz reflexos, prejudica a percepção de risco e leva a decisões impulsivas. Muitos dos acidentes mais severos que atendo ocorreram justamente em momentos de descontração excessiva, quando o cuidado foi deixado de lado.
Aletas simples, mas que fazem a diferença
É fundamental reforçar alguns alertas simples, porém essenciais: nunca mergulhe de cabeça em locais desconhecidos; evite saltos de pedras, muros ou embarcações sem total certeza da profundidade; respeite sinalizações de perigo; e oriente crianças e adolescentes desde cedo sobre os riscos. Em piscinas, o mergulho deve ser feito apenas em áreas próprias e com profundidade adequada.
Caso ocorra um acidente, a conduta correta também faz toda a diferença. A vítima não deve ser movimentada, especialmente se houver suspeita de lesão na coluna. Qualquer tentativa de “ajuda” inadequada pode agravar ainda mais o quadro. O ideal é acionar imediatamente o socorro especializado e manter a pessoa imóvel até a chegada da equipe treinada.
Nenhum mergulho vale o risco
As férias devem ser sinônimo de boas lembranças, descanso e alegria — nunca de arrependimento. Aproveitar o verão com responsabilidade é um ato de cuidado consigo mesmo e com quem está ao redor. Como médico, reforço: nenhum mergulho vale o risco de uma lesão que pode comprometer toda uma vida.
VIDA SAUDÁVEL | Canetas emagrecedoras e saúde da boca: tudo o que você precisa saber
Que este período de descanso seja vivido com consciência, prevenção e respeito ao próprio corpo. A melhor lembrança das férias é voltar para casa inteiro, saudável e pronto para recomeçar