Medicamento para asma alérgica estará disponível no SUS

Saúde

Medicamento para asma alérgica estará disponível no SUS

Prazo para distribuição da medicação é de 180 dias

Foto: Divulgação / Pexel
Anualmente, 250 mil pacientes morrem vítimas da doença.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Público de Saúde (Conitec) aprovou a incorporação do medicamento omalizumabe, para o tratamento da asma alérgica grave não controlada, que será disponibilizado nos hospitais de referência no Sistema Único de Saúde (SUS).

O omalizumabe é um anticorpo humanizado com 95% de sua estrutura composta por proteínas humanas. Seu mecanismo de ação bloqueia uma substância chamada imunoglobulina E, também conhecida como IgE. 

A IgE é produzida em pessoas geneticamente predispostas a alergias, quando entram em contato com alérgenos da poeira, como ácaros e fungos, bem como pelos de animais entre outros. Estes alérgenos, são os principais causadores da asma alérgica.

“A entrada de omalizumabe na rede pública de saúde representa um incremento fundamental no arsenal de medicamentos disponível para o tratamento da asma grave por atender a um perfil de paciente que necessita de uma abordagem terapêutica diferenciada. Oferecer a essa população um tratamento inovador e seguro, cujo custo-benefício assegura o melhor controle da doença é um ganho para toda a sociedade”, destaca a Dra. Zuleide Mattar, pneumologista e presidente da Associação Brasileira de Asmáticos (ABRA).

Panorama sobre a asma

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que limita a respiração de adultos e crianças em todo o mundo. Sua incidência é bastante alta: estima-se que ao menos 300 milhões de pessoas têm asma em todo o mundo. Anualmente, 250 mil pacientes morrem vítimas da doença.

No Brasil, os dados são também alarmantes. Aproximadamente 20 milhões de brasileiros sofrem com a doença. A asma também é uma causa importante de internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Ministério da Saúde revelam cerca de 350 mil internações hospitalares por ano, via SUS, por conta de complicações relacionadas à doença.

O conhecimento da heterogeneidade da doença tem levado à definição de diferentes fenótipos, sendo que a asma alérgica se inclui entre os fenótipos mais comuns, representando 70% dos casos. Estima-se que mundialmente aproximadamente 60% dos casos de asma sejam leves; 25% dos casos moderados e entre 5% e 10% casos de asma grave, sendo que estes últimos são os responsáveis pela maior parte da mortalidade associada à doença. 

Mesmo seguindo todas as recomendações médicas, algumas pessoas com asma têm maior dificuldade em controlar os sintomas da doença. Isso pode variar de acordo com a gravidade da doença, sendo a asma grave a que requer maior quantidade de medicação para conseguir ser controlada.

Apesar de não haver cura, a asma pode e deve ser controlada, independentemente de sua gravidade. O controle adequado da doença permite não apenas que os pacientes tenham melhor qualidade de vida, como pode potencialmente salvar vidas.