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Sanitarista defende que campanha de sarampo deve ser ampliada

Saúde

Sanitarista defende que campanha de sarampo deve ser ampliada

Vacina de bloqueio para imunizar pessoas que tiveram contato com suspeitos de ter a infecção é indispensável, sobretudo, nos primeiros casos.

Estadão Conteúdo

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação/ Internet
Doença infecciosa transmitida por tosse, espirro e saliva, o sarampo é altamente contagioso, pode levar à morte e provocar sequelas anos depois da infecção. 

Sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz e ex-diretor de Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, o pesquisador Cláudio Maierovitch avalia que a estratégia para contenção do sarampo em São Paulo deve ser ampliada e envolver campanhas de imunização para grupos mais vulneráveis, sobretudo adultos jovens.

O sanitarista considera que a vacinação de bloqueio, feita para imunizar pessoas que tiveram contato com suspeitos de ter a infecção, é uma abordagem indispensável, sobretudo nos primeiros casos. "Mas, passada a fase inicial, quando os números aumentam bastante, ela precisa vir acompanhada de outras medidas." Com um grupo muito grande de pessoas suspeitas com a doença, conta, a tarefa de buscar pessoas que tiveram contato com o paciente fica mais difícil. "Quando não se pega o caso do início, dá um trabalhão traçar a trajetória. Se perde o fio da meada."

Maierovitch afirma que a política adotada em São Paulo de vacinar adultos jovens em postos volantes foi acertada, assim como a recomendação da imunização entre bebês com menos de um ano. Na praxe, a vacina contra sarampo é indicada apenas para crianças com 12 meses e um reforço aos 15 meses.

Doença infecciosa transmitida por tosse, espirro e saliva, o sarampo é altamente contagioso, pode levar à morte e provocar sequelas anos depois da infecção. A estimativa é de que uma pessoa infectada tenha capacidade de contaminar 40 pessoas próximas. A transmissão ocorre mesmo antes de a pessoa apresentar o sintoma, o que dificulta a identificação. "É muito difícil de se controlar rapidamente. Se o paciente busca o serviço de saúde, há o risco de ele contaminar o profissional que o atende, as pessoas na sala de espera."

Os números mostram que, no surto atual, a população mais suscetível tem entre 25 a 29 anos. Em seguida, vêm crianças até quatro anos, e o grupo entre 20 a 24 anos. Para Maierovitch, o ideal, nesse estágio do surto, seria manter a vacinação das crianças menores de um ano e se fazer campanhas chamadas de "resgate" nos grupos mais afetados. Nessa estratégia, integrantes de terminada faixa etária são convidados a ir até postos e mostrar a carteira de vacinação. Aqueles que não tiverem sido imunizados, que tiverem dúvidas de sua condição ou tiverem perdido o documento recebem uma dose do imunizante, por precaução.

A população de 25 a 29 anos, tem grande risco de ter recebido apenas uma dose da vacina. Ou de nunca ter sido imunizado contra a doença, conta Mairerovitch.

Tradicionalmente, o período de maior risco para o sarampo é nos meses de frio. A transmissão geralmente perde força a partir de setembro. A vacina usada no País é produzida por Biomanguinhos. Este ano, serão preparadas 26 milhões de doses. Desse total, 12 milhões já foram entregues. De acordo com o laboratório, diante de um pedido do Ministério da Saúde, seria possível pensar em alternativas para adaptação da produção. Nos últimos cinco anos, a produção de vacina de sarampo variou de forma expressiva.

Durante o surto de febre amarela, Biomanguinhos teve de reduzir a produção de vacina contra sarampo para ampliar a produção da vacina contra febre amarela. Mensalmente, o Ministério da Saúde encaminha para Estados o equivalente a 2,5 milhões de doses de vacina contra o sarampo. Diante da expansão de casos de sarampo em São Paulo, foram encaminhadas 4,3 milhões de imunizantes para o Estado.