Foto: Reprodução/youtube
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Nos últimos dias, uma nova bebida alcoólica ganhou grande repercussão nas redes sociais, impulsionada pelo influenciador Toguro: o Mansão Maromba Whisky Combo, popularmente chamado de “SABOR energético”. O meme fez sucesso, viralizou e despertou curiosidade, mas também levantou uma dúvida importante entre consumidores. Afinal, essa bebida é realmente mais segura para consumo ou representa os mesmos riscos da mistura tradicional de álcool com energético?

Por que energético com álcool é uma combinação perigosa

A preocupação existe porque a combinação de energético com álcool gera um conflito fisiológico no organismo. O álcool atua como um depressor do sistema nervoso central, reduzindo reflexos, causando sonolência e deixando a pessoa mais lenta. Já a cafeína e a taurina, presentes nos energéticos, são substâncias estimulantes que aumentam o estado de alerta, a frequência cardíaca e a ativação do sistema nervoso. Quando essas duas ações opostas ocorrem simultaneamente, o corpo passa a receber sinais contraditórios.

Nesse contexto, a sensação de embriaguez tende a ser reduzida, mesmo com níveis elevados de álcool no sangue, favorecendo o consumo de quantidades maiores de bebida, já que a cafeína mascara os efeitos do álcool. Como consequência, há aumento do estresse cardiovascular, elevação da frequência cardíaca e da pressão arterial, maior risco de arritmias, desidratação acentuada e maior probabilidade de comportamentos de risco. Além disso, essa combinação está associada à piora da qualidade do sono e prejuízo na recuperação do organismo.

O que diferencia o Mansão Maromba Whisky Combo

No caso do Mansão Maromba Whisky Combo, o cenário é diferente. Segundo informações divulgadas, a bebida é composta por malte whisky envelhecido por três anos, destilado alcoólico simples de malte, álcool etílico potável, fermentado alcoólico de malte, extrato de carvalho, extrato de guaraná, dextrose, glicose, sacarose, aroma idêntico ao natural de frutas, além de corantes, acidulantes, conservadores, regulador de acidez e água gaseificada.

O ponto central está no fato de que não há adição de taurina nem de cafeína sintética. O extrato de guaraná presente na formulação contém cafeína de forma natural, porém em quantidades significativamente menores do que aquelas encontradas nas bebidas energéticas tradicionais. Por esse motivo, a bebida não pode ser classificada como energético pelas regras atuais da Anvisa. Trata-se, portanto, de uma bebida alcoólica com sabor energético, e não de álcool misturado com energético, o que explica sua liberação para comercialização.

Menos risco não significa bebida saudável

Do ponto de vista comparativo, essa bebida apresenta menos riscos cardiovasculares do que a mistura clássica de álcool com energético, justamente por não conter altas doses de cafeína capazes de mascarar a embriaguez. Ainda assim, isso não significa que seja uma opção saudável.

Sob a ótica nutricional, a bebida também não oferece benefícios ao organismo. Além do álcool, que já impõe uma sobrecarga metabólica, sua composição inclui açúcares simples, como glicose, dextrose e sacarose, que favorecem picos glicêmicos, aumentam o impacto inflamatório e podem intensificar os sintomas de ressaca. Esses fatores comprometem a recuperação muscular, a qualidade do sono e o equilíbrio metabólico, especialmente quando o consumo é frequente ou excessivo.

O álcool, independentemente da forma de consumo, está associado à sobrecarga hepática, inflamação, alterações hormonais e prejuízo na recuperação do organismo. Por isso, mesmo versões consideradas menos arriscadas devem ser consumidas com moderação, consciência e responsabilidade.

Para contextos festivos, como o Carnaval, essa bebida surge como uma alternativa mais consciente à mistura tradicional de álcool com energético, desde que o consumo seja moderado, acompanhado de boa hidratação e atenção aos sinais do próprio corpo. O ponto central não está no nome da bebida, mas na forma, na quantidade e na responsabilidade com que cada pessoa escolhe consumir álcool.

Bruna Tommasi

Colunista

Nutricionista graduada pela Universidade Vila Velha e pós-graduada em Nutrição Esportiva e Estética. É apaixonada por promover saúde de forma prática, combinando ciência e estilo de vida para ajudar as pessoas a alcançarem seus objetivos com equilíbrio

Nutricionista graduada pela Universidade Vila Velha e pós-graduada em Nutrição Esportiva e Estética. É apaixonada por promover saúde de forma prática, combinando ciência e estilo de vida para ajudar as pessoas a alcançarem seus objetivos com equilíbrio