Mas afinal, o que é o tal dinheiro?

Você sabe o que é o dinheiro e como ele surgiu? Dinheiro é fé! Não importa se for Dólar, Real, Euro ou Libra: todos esses recursos têm em comum a crença das pessoas que os trocam por produtos ou serviços. A crença de que essas moedas valem algo e não são apenas um pedaço de […]

Por Luana Nandorf

Você sabe o que é o dinheiro e como ele surgiu?

Dinheiro é fé!

Não importa se for Dólar, Real, Euro ou Libra: todos esses recursos têm em comum a crença das pessoas que os trocam por produtos ou serviços. A crença de que essas moedas valem algo e não são apenas um pedaço de papel, metal ou um comprovante de transferência. Elas precisam ser limitadas e desejadas pelas pessoas, pois do contrário não valeriam nada!

Já parou para pensar nisso?

Pois bem, se ninguém acreditar que aquele pedacinho de papel tenha valor, na verdade, ele será só um papel!

Certo. Mas como o dinheiro surgiu?

O homem, antes de se tornar produtivo, vivia da extração. Mas quando percebeu que poderia ter algo o ano inteiro, ou em maior quantidade para estocar, ele passou a produzir e trocar com produtores de outros bens: daí surgiu o escambo, a primeira “moeda”. Isso, porém, nem sempre era justo ou satisfatório a todos os negociadores.

O primeiro objeto que podemos chamar de moeda foi um tablete de argila gravado com a quantidade de mercadorias deixada no armazém por cada produtor. Também tivemos outras “moedas”, ainda estranhas aos nossos olhos, tais como: sal, couro, peixe seco, penas de certas aves, conchas, cachaça, tabaco (esse último foi usado até 1807). Você sabia que a palavra salário tem origem da palavra “sal”, e pela razão dessa ter sido utilizada como moeda?

A próxima etapa abarcou os metais, uma forma bem mais durável de moeda, como, por exemplo: cobre, bronze, prata e ouro. Temos usado desses recursos até a atualidade.

Em 600 A.C., na Turquia, as primeiras moedas de metal começaram a ser cunhadas, demonstrando sua autenticidade afim de evitar que pessoas falsificassem o recurso. Mas foi em Atenas, com o legislador Sólon, que tivemos as primeiras moedas sem valor em si mesmas, essencialmente baseadas na confiança. Ele teve a brilhante ideia de misturar metais menos valorizados aos demais, e sem que isso reduzisse o valor das moedas fabricadas. A ideia foi revolucionária!

Após a criação dessas moedas metálicas, outros problemas surgiram quanto aos riscos e a dificuldade de acumular muitas delas em um mesmo local. Diante disso, surgiram as casas de custódia, nas quais as pessoas podiam fazer a guarda de suas moedas e recebiam certificados em papel equivalentes. No ano de 1406, na cidade italiana de Gênova, foi criado o primeiro banco moderno, chamado de “Banco di San Giorgio”.

As primeiras notas de papel-moeda, por sua vez, surgiram na Europa, em 1661, na Suécia; já o primeiro cartão de crédito foi inventado na década de 1920, nos EUA. Em 23 de abril de 2002, pela circular n° 3.115 do Banco Central do Brasil e como parte do plano de reestruturação do Sistema de Pagamentos Brasileiro, surgiram as transferências eletrônicas DOC e TED. A partir da “bancarização” o dinheiro não precisava ser físico para ter valor: bastava aumentar o volume de seu saldo financeiro.

Assim, após vários séculos de desenvolvimento e aperfeiçoamento, chegamos à grande evolução que estamos presenciando hoje: o surgimento e a popularização das moedas digitais. O Bitcoin, a primeira criptomoeda que foi criada em 2008 por Satoshi Nakamoto, com certeza é o maior representante dessa nova fase. Essa moeda digital, que ainda divide a opinião da população, teve o valor inicial de US$ 0,0008 – oito cêntimos de um centavo de dólar (cotado em R$ 2,307) = R$ 0,0018, e em sua última cotação, no dia 15 de outubro de 2021, está com o valor de R$ 337.400,72 ou 61.798,40 Dólares.

Para você ter uma noção, na primeira metade de 2021 já haviam 10.810 criptomoedas listadas na internet.

Diante de todas essas evoluções do dinheiro, eu sugiro o seguinte questionamento: Quais serão os próximos passos na história desse recurso tão necessário?

Uma coisa é certa: nenhuma das “moedas” desenvolvidas no decorrer da história da humanidade foram extintas. Ainda hoje usamos — de certa forma — o escambo, produtos e diferentes meios de troca a fim de negociar o que desejamos ou precisamos.

Cabe aqui a célebre frase, com mais de 200 anos, de Lavoisier: “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.