• Velocidade do vento

  • Previsão de chuva

  • Nascer do sol

  • Por do sol

Umidade relativa do ar: Índice de raios UV:

Solano minimiza papel de Zuza e Paulinho Machado de Carvalho nos festivais

  • COMPARTILHE
Entretenimento

Solano minimiza papel de Zuza e Paulinho Machado de Carvalho nos festivais

Uma colocação de Solano Ribeiro no livro Prepare seu Coração provocou a indignação do pesquisador Zuza Homem de Mello, jornalista, músico e autor da obra referencial A Era dos Festivais. Solano escreve na página 76, no capítulo Uma Noite em 67, sobre o documentário de 2010 de mesmo nome, feito por Ricardo Calil e Renato Terra. "...Sou contatado por Renato e Ricardo Calil, propondo que meu depoimento fosse ao lado de Paulinho Machado de Carvalho e Zuza Homem de Mello. Ora, nem um nem outro tiveram qualquer participação na elaboração dos festivais da Record. Um era empresário e dono da emissora. Sua função era pagar a conta. Outro havia sido engenheiro de som nos festivais de 1966 e 1967. Seria perda de tempo conversar com ambos sobre assuntos com os quais nada tiveram a ver."

Solano, 79 anos, relê a frase que escreveu e diz na entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo": "Zuza era um operador de áudio. Sua função era técnica, não tinha nada a ver com direção ou apresentação", diz. "Não sei porque acaba tendo tanto destaque no filme." Sobre a presença de Paulinho do mesmo documentário, fala o seguinte: "Ele aparece falando claramente sobre um outro programa, Essa Noite se Improvisa, e não sobre os festivais. Infelizmente, o que eu falei por 10 horas de gravação se tornaram poucos minutos no filme".

Zuza diz primeiro sobre Paulinho Machado de Carvalho (morto em 2012), filho de Paulo, então dono da emissora. "Ele nunca foi apenas o homem que pagava a conta. Dizer isso é uma injustiça grosseira. Paulinho sempre participou de maneira total na Record, fazia a escolha dos artistas." Sobre si, argumentou: "Eu de fato não tive participação na elaboração dos festivais, mas dizer que não tenho nada a ver com o assunto é demais. Isso só pode ser dor de cotovelo. É bom lembrar que o documentário (Uma Noite em 67) foi feito sobre meu livro (A Era dos Festivais), e não sobre o livro dele", afirma Zuza.

Mais memórias

Solano acrescenta em sua revisão (a primeira versão do livro é de 2003) memórias de infância, de seus 5 ou 6 anos. "Eu me lembro de quando a Segunda Guerra Mundial terminou. Eu e meu irmão fomos tirar sarro de um japonês que trabalhava em um armazém em frente de casa."

Sobre a geração que viu ser revelada sobretudo nos palcos da Record, nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Milton Nascimento e tantos outros, ele diz considerar "um absurdo". "Acho um absurdo mesmo que uma geração acima dos 70 anos de idade ainda seja a mais importante do País." Ele acredita que a repressão dos anos de ditadura tenha a ver com a falta de renovação do cenário musical. "Com os censores agindo, os programas musicais (muitas vezes politicamente engajados) tiveram de ser substituídos pelo entretenimento, chegando ao ápice com o surgimento de mercados como o sertanejo universitário, o pagode e o axé."

Se faltaria talento que se imponha ao tempo e às limitações para uma virada de jogo e um retorno da música ao protagonismo cultural, Solano diz que não. "Eu apresento todas as semanas em meu programa (na Rádio Cultura Brasil, chamado Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil) vários novos Caetanos, Gilbertos, Chicos, Miltons... Como eles também não aconteceram imediatamente às suas aparições, temos de saber que muitos dos novos só estão em seus primeiros discos." Solano diz também que a ausência de novos artistas mobilizadores de massa se explica pela falta de velhos catalisadores. "Não temos mais os discos, nem a TV Record, nem os festivais nem Elis Regina. Cada um atira sozinho." E dos novos? Em quem apostaria para causar furor no tempo em que furor é coisa do passado? "Silva, Giovani Cidreira, Rafael Castro..."

PREPARE SEU CORAÇÃO

Autor: Solano Ribeiro

Editora: Kuarup (191 págs., R$ 29)

Lançamento: 3ª (18), a partir das 19h. Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Av. Paulista, 2.073

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.