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Ministério Público Federal processa associações ligadas a PMs por paralisação e pede indenização de R$ 37 milhões

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Ministério Público Federal processa associações ligadas a PMs por paralisação e pede indenização de R$ 37 milhões

Ação Civil Pública foi ajuizada em virtude da paralisação dos policiais militares no Espírito Santo, ocorrida em fevereiro do ano passado

MPF denunciou associações ligadas a policiais militares por causa da paralisação da PM

O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES) ajuizou uma Ação Civil Pública contra associações ligadas a policiais militares e pediu o ressarcimento de R$ 37 milhões por causa da greve da PM, em fevereiro do ano passado. A ação pede ainda o pagamento de R$ 12 milhões por dano moral coletivo à população capixaba.

As entidades acionadas foram a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo (ACS – PMBM - ES), a Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires), a Associação Geral dos Militares (Agem – PMBM – ES) e a Associação de Benefícios aos Policiais e Bombeiros Militares do Espírito Santo (Aspobom).

Na ação, o MPF pede a condenação das associações para o ressarcimento de prejuízos sofridos pelo Governo Federal para manutenção de tropas das Forças Armadas, durante a paralisação do ano passado. A condenação deverá ser imposta solidariamente a todas as associações, uma vez que, segundo o MPF, elas se associaram para a realização da greve.

Segundo informação do chefe do Gabinete do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, fornecida ao MPF em fevereiro de 2017, os custos estimados com a operação chegavam a R$ 37.491.141,80. Neste sentido, o valor total do ressarcimento deverá ser definitivamente apurado na liquidação de sentença.

O MPF também pede o ressarcimento no valor de R$ 12 milhões por dano moral coletivo causado à sociedade capixaba durante a greve, situação que privou a população do direito fundamental à segurança pública e considerando a expressa proibição constitucional de greves de militares. “O valor pretendido corresponde a apenas 0,5% do montante que se noticiou na imprensa local como correspondente ao prejuízo gerado ao comércio e à indústria em decorrência de uma semana de paralisação”, frisa a ação.

A produção da TV Vitória/Record TV procurou as associações ligadas aos policiais militares citadas pelo Ministério Público Federal no Espírito Santo. Apenas a

Associação de Benefícios aos Policiais e Bombeiros Militares do Espírito Santo respondeu. A Aspobom se limitou a informar que, assim que a associação for citada, vai provar que o movimento foi involuntário de familiares de policiais militares.

Greve

A greve teve início no dia 4 de fevereiro de 2017, três dias após as associações representativas de classe protocolarem junto ao Governo do Estado um documento que reivindicava uma reunião com o governador até o fim da primeira quinzena de fevereiro, para tratarem "de assuntos pertinentes a todos os militares estaduais". Justificavam que a audiência se fazia "necessária em face da insatisfação dos policiais e bombeiros militares em relação às perdas salariais dos últimos anos”.

Sob a forma de um movimento de “aquartelamento”, revindicando a correção da remuneração dos policiais militares pela inflação do período, além do retroativo referente à ausência dessa correção desde 2010, auxílio-alimentação, adicionais de periculosidade e de insalubridade, os manifestantes também pediam a anistia geral de sanções administrativas e judiciais que poderiam ser impostas para todos os policiais e manifestantes e melhoria das condições de trabalho. Tudo isso, apesar da expressa vedação constitucional quanto à sindicalização e direito de greve dos militares.

Na tentativa de contornar a proibição constitucional, as associações usaram a estratégia de manterem a presença de poucas pessoas, em geral, familiares dos grevistas, em frente aos portões das unidades de polícia (batalhões, destacamentos, companhias, etc). Os grevistas alegavam que nada podiam fazer contra a situação, que supostamente impedia a saída das viaturas, a não ser permanecerem aquartelados até que seus parentes resolvessem cessar o movimento que pretendia garantir melhores condições de trabalho aos militares estaduais.

Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) obtidas pelo MPF, a ideia do uso de familiares para interdição de acessos às unidades da PMES e CBMES não é recente e já havia sido usada em 21 de outubro de 2013, pela Associação Geral dos Militares em uma manifestação em frente à sede do 9º BPM/PMES, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado.

Em depoimentos prestados ao Ministério Público Estadual, os participantes do movimento paredista descreveram as atividades das associações durante a greve. Elas forneciam barracas, água, alimentação, além de apoio logístico aos manifestantes.

Violência

Segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, 224 pessoas sofreram mortes violentas no Espírito Santo entre 4 e 25 de fevereiro de 2017. A maior parte delas (125 inquéritos) aconteceu na Grande Vitória.

Em todo o mês de fevereiro de 2016, o Espírito Santo havia registrado 122 homicídios. Entre os dias 4 e 10 de fevereiro de 2016, o Estado tinha registrado 25 homicídios. Com a paralisação da PM em 2017, o número nesse período é de 121, um aumento de 384%.

Operação capixaba

A ação militar realizada no Estado, denominada Operação Capixaba, contou com o efetivo de 3.169 militares das Forças Armadas, quatro aeronaves, 227 viaturas e sete blindados. Foram realizadas 260 horas de voo, com 1.585 patrulhas, 38 operações, 11.545 abordagens e 108 prisões.

Além disso, a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) veio para o Espírito Santo durante o início da greve da Polícia Militar e, atendendo solicitação do Governo Estadual, permaneceu no Estado até o final de abril. Seu efetivo chegou ao número de 300 profissionais.

Arquivamento

Apesar de terem sido investigadas, não foram recolhidas provas que confirmassem a responsabilidade na organização do movimento das seguintes entidades: Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia e Bombeiro Militar do Espírito Santo (Asses); Associação dos Bombeiros Militares do Espírito Santo (Abmes); Clube dos Oficiais - Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes); Associação de Saúde dos Policiais e Bombeiros Militares do Espírito Santo (ASPBMES); e da Associação Nacional de Apoio aos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas (Anasp). Portanto, o MPF arquivou o inquérito civil que citava essas associações.