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'A maior dificuldade foi a compreensão da sociedade', diz Bombeiros sobre resgate na Terceira Ponte

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'A maior dificuldade foi a compreensão da sociedade', diz Bombeiros sobre resgate na Terceira Ponte

"Muitas pessoas estimulavam a tentativa, querendo acabar com o problema delas, e não o que a gente tinha para resolver", disse o capitão

Após cerca de oito horas de interdição total, a operação de resgate realizada na Terceira Ponte, nesta segunda-feira (10), foi finalizada e bem executada. A vida foi salva e todos os procedimentos necessários foram realizados, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

A tarefa não foi fácil. Apenas equipes que trabalhavam no resgate ocupavam a via. Nenhum outro veículo estava autorizado a atravessar a Terceira Ponte. Com os impactos no trânsito de Vitória e Vila Velha, a população se revoltava e não compreendia a missão que acontecia no local: salvar uma vida.

"O momento mais difícil foi a compreensão da sociedade, pois muitas pessoas estimulavam a tentativa, querendo acabar com o problema delas, e não o que a gente tinha para resolver", afirma o capitão Amorim, do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo.

Na manhã desta terça-feira (11), durante coletiva, o capitão detalhou as ações realizadas durante o período de interdição. Sobre o tempo, que para muitos pode ser considerado demorado, para ele, foi o necessário para cumprir a missão. "A gente não entende que demorou tanto. Não podemos comparar horas de trabalho com a questão de uma vida salva. Se demorasse mais, o Corpo de Bombeiros permaneceria no local", disse.

Segundo o Corpo de Bombeiros, cada caso tem as particularidades que definem o tempo necessário para a ocorrência. As equipes são equipadas com o material necessário, mas a demora ou não depende da situação da vítima. "Estamos ali tentando convencer para que a vítima saiba que essa não é a melhor forma", afirma o capitão Amorim.

O capitão explicou que não há como prever em quanto tempo será executada uma ação de resgate. O agravante da situação ocorrida nesta segunda-feira foi o fato de que demandava paciência, diálogo e atenção. "De uma forma genérica, temos três grandes grupos: pessoas agressivas, depressivas e esquizofrênicas. Ontem, era mais voltado para o caso esquizofrênico. Mais difícil de lidar e sem raciocínio lógico".

Em casos como estes, o Corpo de Bombeiros cumpre um protocolo e delimita áreas que visam garantir a segurança da vítima, de quem trabalha no resgate e da população. "Em outras ocorrências como esta, era usado apenas um lado da pista e o outro era liberado para os veículos. Isso resultava em um transtorno. A população não compreendia que ali tinha uma vida para ser salva", conta o capitão.

Entenda o caso

A interdição na Terceira Ponte começou por volta das 15h09 desta segunda-feira (10). A pedido do Corpo de Bombeiros os dois sentidos da via foram interditados completamente para a realização da operação de resgate. O objetivo foi resgatar uma pessoa que atentava contra a própria vida. Cerca de oito profissionais do CBMES e da PMES negociaram, por oito horas, para que a vítima não conseguisse produzir qualquer dano à sua saúde.

Durante a interdição, os portões da Terceira Ponte foram abertos para que os veículos pudessem retornar. Mesmo assim, o bloqueio gerou um grande congestionamento em diversos pontos de Vitória e também de Vila Velha.

Houve um confronto entre militares e alguns motoristas que tentaram furar bloqueios feitos pela polícia. Segundo um militar, a PMES agiu de maneira cautelosa, utilizando gás de pimenta e escudos para dispersar quem tentava furar o bloqueio. Mais de 40 homens da Força Tática, Tropa de Choque e de batalhões da Polícia Militar acompanharam a ocorrência.

Barreira de proteção

Nesta terça-feira, a Agência de Regulação dos Serviços Públicos (ARSP) anunciou o modelo de proteção que deve ser instalado no local.

De acordo com o diretor Geral da ARSP. Júlio Castiglione, serão instalados cabos rígidos verticais com altura de dois metros e espaçamento de 10 centímetros. O investimento deve girar em torno de R$ 15 milhões. "Serão mais de 6 quilômetros de estrutura instalada, com material inoxidável, além de mão de obra noturna, necessariamente. Tudo isso envolve o preço mais caro", disse.

Os estudos que resultaram no desenvolvimento desse modelo de proteção foram realizados com a Rodosol, empresa que administra o trecho da Terceira Ponte. A estrutura deve ser instalada sobre o guarda-rodas já existente no local.

No modelo apresentado, foram inseridas lanças pontiagudas na estrutura horizontal superior. Testes realizados pelo Corpo de Bombeiros indicaram que a tecnologia apresentada não é de fácil transposição.