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Acusado de estelionato é denunciado por interpretar errado libras em propagandas eleitorais no ES

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Acusado de estelionato é denunciado por interpretar errado libras em propagandas eleitorais no ES

Segundo a Associação de Integração dos Surdos de Vitória, Cássio de Oliveira Veiga não é um profissional certificado em Libras

Breno Ribeiro

Redação Folha Vitória

Um homem acusado de interpretar libras de maneira errada está participando das Propagandas Eleitorais 2018 do Espírito Santo. A informação é da Associação de Integração dos Surdos de Vitória (Asurvi), que deve apresentar denúncia ao Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE) nesta quinta-feira (6).

Cássio de Oliveira Veiga, de 29 anos, causou estranhamento na comunidade surda após aparecer interpretando a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em propagandas veiculadas nos canais de televisão. Segundo membros da Asurvi, os sinais feitos pelo rapaz não têm referências com Libras.

De acordo com a advogada da associação, Vanessa Brasil, Cássio não é um profissional intérprete de Libras e alguns sinais feitos por ele estão incorretos. "Alguns sinais não possuem conexão com o contexto falado pelo candidato. Ou seja, ele inventou", afirma.

A advogada explica que a contratação desse tipo de profissional é feita de maneira livre pelos partidos políticos. Contudo, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Nº 13.146) especifica que o profissional contratado seja formado em uma escola que possua reconhecimento do Ministério da Educação (MEC).

"Ele não está desenvolvendo a atividade de maneira a atingir a comunicação e expressão das Libras. Esse rapaz não é conhecido no meio da comunidade surda, na qual todo mundo se conhece. A denúncia nos órgãos competentes será feita com o intuito de que pare a veiculação de propagandas em que ele aparece. Além disso, queremos que os partidos e coligações envolvidos sejam punidos e que o MPE investigue", fala Vanessa.

Outro lado

Cássio garante que é um intérprete com experiência e formação no Centro de Referência para a Pessoa com Deficiência (CRPD). Entretanto, ele reconhece que não possui certificado de intérprete. "Parece que tem que possuir essa certificação. Eu concluí um curso no CRPD. Eu precisava trabalhar, por isso aceitei o convite", diz.

Segundo Veiga, ele foi contratado por uma produtora para prestar o serviço. "Já fiz vários serviços de intérprete. Fui contratado por uma produtora, mas não sabia que tinha que possuir a certificação. Eu já me retirei do trabalho e a produtora também vai retirar minha participação nas propagandas em que apareço", afirma.

A reportagem tentou contato com a produtora e com o CRPD para posicionamento sobre os fatos. A equipe segue na tentativa de ouvir a versão das partes citadas. Também foi dado espaço para posicionamento do TRE e do MPE acerca dos fatos.

Golpe de Imóveis

No dia 19 de junho deste ano, Cássio foi preso por suspeita de cometer crimes de estelionato. Segundo a polícia, o rapaz dizia ser correspondente bancário e afirmava conhecer diversos gerentes de bancos para ganhar confiança de vítimas que buscavam comprar imóveis. De acordo com a polícia, uma das supostas vítimas de Veiga teria tomado um prejuízo no valor de R$ 100 mil. 

"Isso foi uma suspeita. Eu fui preso por conta de um processo em 2013, mas já foi tudo esclarecido. Fui detido porque não recebi as intimações, mas ressalto que já foi tudo esclarecido e já está sendo dado baixa no processo", diz Veiga.

Intérprete impostor

Em 2013, a cerimônia de homenagem a Nelson Mandela deixou indignados os surdos-mudos da África do Sul que, denunciaram o intérprete dos discursos como um impostor que não conhecia a linguagem dos sinais. "A comunidade de surdos-mudos da África do Sul está ofendida", afirmou o Delphin Hlungwane, intérprete oficial da Federação de Surdos da África do Sul, na ocasião. Leia mais!