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Itens mais preciosos do museu Nacional queimaram, dizem funcionários

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Itens mais preciosos do museu Nacional queimaram, dizem funcionários

Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e funcionários do Museu Nacional confirmaram nesta segunda- feira, 3, que o prédio, destruído pelo fogo domingo, vinha em más condições há décadas. "Eu me sinto num velório. A sensação é de ter perdido um parente próximo", disse o biólogo Antonio Carlos Neves, de 33 anos, que cursou mestrado na UFRJ.

Ainda é possível ver focos de incêndio no imóvel. Mas a direção disse que "há esperança" de se recuperar parte do acervo, e alguns itens já foram resgatados. O museu reunia mais de 20 milhões de itens.

Desolados, Neves e três colegas, que preferiram não ter a identidade divulgada, disseram acreditar, pelas condições dos escombros e desabamentos ocorridos nos três pavimentos, que os principais itens do conjunto museológico se perderam: três múmias egípcias, o crânio de Luzia, o primeiro do continente, as ossadas de baleia jubarte e do dinossauro conhecido como "dinoprata", os diários da Princesa Isabel, o mobiliário imperial, a coleção de documentos da Imperatriz Teresa Cristina, os afrescos de Pompéia.

Assoalhos originais do século 19 falhos, infestação de cupins, fiações elétricas aparentes, temperatura e luminosidade adequadas para o acondicionamento dos itens das coleções, entre outros problemas estruturais, foram listados pelos funcionários como questões antigas. "A verba nunca foi suficiente; este ano, piorou muito. Coleções de entomologia, insetos, aranhas, crustáceos e moluscos tinham problemas ", disse uma bióloga.

Bombeiros disseram que as paredes externas têm espessura de cerca de um metro, o que os leva a crer que não há risco de desmoronamento. Já internamente o cenário é de destruição quase total, com focos sendo avistados de fora.

A direção do museu requer que o governo federal ceda contêineres para que o trabalho possa ser retomado e que o orçamento de 2019 tenha dotação específica para o museu. "Nunca escondemos os nossos problemas. Queremos a Polícia Federal aqui dentro apurando as causas. Aos culpados ainda vamos apontar os dedos. É despertadora a frustração. Lamentavelmente não tivemos a deferência da presença de ministros nos 200 anos do museu", disse o diretor, Alex Kellner, ao comentar a carência de recursos do governo federal para o museu e a ausência de autoridades por ocasião do bicentenário da instituição.