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Lula usava fundos de estatais para ter vantagens, afirma Palocci

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Política

Lula usava fundos de estatais para ter vantagens, afirma Palocci

Palocci afirmou que, mesmo antes de ser eleito presidente, Lula já tinha influência na administração dos fundos, mas o ex-ministro não detalhou essa atuação

Em depoimento à força-tarefa da Operação Greenfield, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva interferia nos investimentos dos fundos de pensão mantidos por estatais, com o pedido de "vantagens indevidas" a empresas interessadas em receber aportes.

Segundo Palocci, esses pedidos eram feitos por tesoureiros do PT. Palocci citou Delúbio Soares, Paulo Ferreira e João Vaccari Neto, que teriam exercido essa função em períodos diferentes. "O presidente Lula expedia determinações para colocar recursos em empreendimentos de interesse do governo. Que nem sempre era vantagem indevida, mas apenas para atender vantagem política", diz trecho do depoimento de Palocci aos procuradores da força-tarefa, que apura desvios nos maiores fundos de pensão do País. Palocci afirmou que, mesmo antes de ser eleito presidente, Lula já tinha influência na administração dos fundos, mas o ex-ministro não detalhou essa atuação.

Palocci fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e vem prestando depoimentos em investigações e processos em andamento. Aos procuradores da Greenfield, o foco foi sobre o FIP Sondas, acionista da Sete Brasil, empresa criada à época da descoberta do pré-sal para alugar sondas para a Petrobrás. Os fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa (Funcef) e da Petrobrás (Petros) eram os principais cotistas do FIP.

"No governo Lula, o pré-sal foi enxergado como um passaporte para o futuro, que foi um bilhete premiado no fim do governo. Que o clima era de delírio político", disse Palocci sobre interesses do PT no pré-sal e na construção das sondas.

Esse cenário de "delírio político", afirmou o ex-ministro, fez com que Lula tivesse um momento de atuação "raro" que resultou em um "descuido" da parte jurídica, já que o então presidente começou a atuar diretamente nos pedidos de "vantagens indevidas".

Aos procuradores, ele citou reunião no "fim de 2009 ou começo de 2010", no Palácio da Alvorada, em Brasília, em que Lula teria dito a ele e à presidente cassada Dilma Rousseff que o FIP tinha de garantir o "futuro" do PT. "Foi uma reunião muito curta e os demais presentes ficaram perplexos com a conduta do presidente Lula."

Sobre os gestores dos fundos à época, Palocci disse que eles sabiam das irregularidades. Dilma, afirmou, se encontrou com os presidentes dos fundos que seriam acionistas no FIP Sondas para "forçar o investimento". Segundo ele, o projeto da construção das sondas tinha problemas. "O projeto era mirabolante, havia motivação política e necessidade de arrecadar propina." Palocci também disse que Lula tinha conhecimento de irregularidades envolvendo a usina hidrelétrica de Belo Monte e a compra de caças pela Força Aérea.

'Mentiras'

A assessoria de Lula afirmou que Palocci "falou mentiras sem apresentar qualquer prova para tentar fechar um acordo judicial que o tire da prisão". Em nota, Dilma disse que o ex-ministro transformou uma ação administrativa em crime, "de maneira irresponsável e criminosa". "A Odebrecht, alvo da Greenfield, informou que "continua colaborando com a Justiça". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.