Rigoni entre o PSDB e o DEM

O deputado federal Felipe Rigoni está próximo de definir seu futuro partidário. De saída do PSB, partido pelo qual se elegeu em 2018, com 84.405 votos, o deputado bate o martelo no mês que vem (novembro) e admite que está apenas entre dois partidos: o PSDB e o DEM. “Eu terei ainda uma conversa com o DEM, estou esperando eles me falarem o que vão me oferecer. Vamos ver, mas vou me filiar em novembro. Pra mim, já estou até um pouco atrasado, porque eu quero construir o partido junto”, disse Rigoni. Com o PSDB ele tem tido contato constante.

Rigoni está de saída do PSB principalmente por divergências ideológicas. Liberal nos costumes e na economia, o deputado não seguiu a orientação partidária do PSB (partido de centro-esquerda) na votação da reforma da Previdência e sofreu sanções.

Ele também já fez críticas à gestão de Casagrande, principalmente depois que colocou o nome na pista como um dos prováveis candidatos ao Palácio Anchieta no ano que vem. Mas se pretende ir para o caminho oposto ao de Casagrande, pode encontrar embaraços tanto no PSDB quanto no DEM. Isso porque hoje os dois partidos caminham próximos ao governador e há chances reais de o apoiarem à reeleição no ano que vem.

Os tucanos

O deputado estadual Vandinho Leite, que preside o PSDB capixaba, começou seu mandato em rota de colisão com Casagrande. Chegou a fazer parte do G-6 – grupo de seis deputados da oposição que tinha, além de Vandinho, Danilo Bahiense, Capitão Assumção, Torino Marques, Carlos Von e o ex-deputado e hoje prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.

O G-6 protagonizou uma das cenas de maior tensão com o governo estadual quando foi ao hospital Dório Silva, no pico da pandemia de Covid em 2020. O ato foi após o presidente Bolsonaro pedir a seus apoiadores que “dessem um jeito” de entrar nos hospitais e filmassem, para ver “se os leitos estavam ocupados ou não”, numa tentativa de levantar suspeitas sobre os números da pandemia.

Porém, após a eleição municipal do ano passado, Vandinho se reuniu com a cúpula do governo e com o próprio governador e mudou de postura e de lado. Hoje participa de quase todas as solenidades do governo, defende a gestão e, mesmo quando tem pontos a criticar, o tom é ameno.

Na última quinta-feira (14), ao participar de um evento no Palácio Anchieta, Vandinho foi questionado pela coluna se o partido teria candidatura própria. “Isso ainda não foi debatido”, respondeu.

Os democratas

Já o caminho do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) foi o oposto. Iniciou o mandato ao lado de Casagrande – após romper ainda na gestão passada com o ex-governador Paulo Hartung –, mas, a contar pelos discursos e postura na Assembleia, está a cada dia mais afastado do Palácio Anchieta.

Embora não seja o presidente dos democratas capixabas, Theodorico sempre teve voz ativa no partido, que conta ainda com a sua mulher, a deputada federal Norma Ayub, e o filho, o ex-senador Ricardo Ferraço – atual presidente do DEM-ES. Porém, a eleição de Euclério Sampaio (DEM) prefeito de Cariacica equilibrou o jogo de forças na sigla. Aliado de primeira hora do governador, Euclério já chegou a dizer que deixa o partido caso o DEM vá para a oposição ao governo.

Ricardo Ferraço também não dá sinais de que levará o partido para a oposição. Na última sexta-feira (15), esteve com Casagrande no 5º Encontro Folha Business e também participou de um almoço, com o governador, logo após.

Ou seja, se a intenção de Rigoni em ir para um dos dois partidos é disputar o governo contra Casagrande, ele pode encontrar dificuldades. A não ser que haja uma orientação nesse sentido das executivas nacionais dos partidos, que pode vir como um arranjo nos estados, ou com uma intervenção, mudando a presidência local.

Questionado se a garantia de uma candidatura ao governo seria algo fundamental para definir sua futura sigla, Rigoni disse que não, mas com ressalvas: “A candidatura ao governo não é fundamental, mas é importante. Estou construindo esse projejto, vamos ver se viabiliza, se faz sentido para a sociedade, se é o melhor para o Espírito Santo. Eu também sou muito novo (fez 30 anos em junho), não tenho essa vaidade”, afirmou.

Padrinho

O mercado político capixaba especula que o ex-governador Paulo Hartung poderia estar por trás, incentivando a candidatura de Rigoni. O deputado nega. “Eu converso com Paulo, mas conversei umas quatro vezes com ele nesse ano. É uma figura importante. Tanto o Paulo como o Renato são as figuras mais importantes do Estado. Mas não tenho essa proximidade toda com ele (Paulo Hartung). Ele vê com bons olhos, mas não é um grande incentivador da minha candidatura. Ao menos, por enquanto. Vamos ver”, disse.