“Ainda não coloquei a minha plaquinha de ex”, diz Rose de Freitas

Camilo, Rose e Pimenta em evento no Palácio Anchieta / crédito: Luciano Pimenta (Instagram)

Mergulhada desde que deixou o Senado (31 de janeiro) após perder a reeleição para o senador Magno Malta (PL), a ex-senadora Rose de Freitas (MDB) apareceu ontem (11) no Palácio Anchieta para participar de um evento do governo na área de Educação, que contou com a presença do ministro da pasta, Camilo Santana.

Com investimentos de R$ 150 milhões, o governo lançou os novos editais do Programa Estadual do Transporte Escolar (Pete) e do Fundo Estadual de Apoio à Ampliação e Melhoria das Condições de Oferta da Educação Infantil no Espírito Santo (Funpaes), além de lançar o prêmio “Professor Alfabetizador”.

A presença de Rose foi anunciada, com deferência, pelo governador Renato Casagrande (PSB) e pelo ministro, durante os discursos. E, ao final do evento, a ex-senadora foi cercada por deputados e prefeitos aliados.

Questionada sobre o que tem feito após ter deixado o mandato, a ex-senadora sinalizou que ainda está na ativa.

“Eu ainda não coloquei a plaquinha de ‘ex’, não. Estou procurando o que ficou lá (em Brasília), aprovado, para acompanhar e não deixar ir para a gaveta. Muita coisa importante, principalmente na área de Educação. O município de Laranja da Terra ganhou um Ifes, o de Afonso Cláudio ganhou uma universidade, Pedro Canário está começando um Ifes também… Então, eu continuo com a responsabilidade de acompanhar. São minhas dívidas que tenho de pagar”, brincou.

Rose disse que passou os meses de fevereiro e março no Estado fazendo reuniões políticas e não voltou a Brasília desde então. Disse também que tem estado próxima do governo do Estado. “Fiquei o tempo todo aqui, trabalhando, fazendo reuniões”.

E o MDB?

Presidente da comissão provisória que comanda o MDB no Estado, Rose disse que a convenção do partido está marcada para agosto, mas desconversou sobre se irá ou não disputar a presidência.

“Isso vai ser discutido com uma base muito grande. Hoje, o MDB, a despeito de qualquer coisa que falem, está em todos os municípios”, afirmou, valorizando sua gestão à frente da legenda.

Ao ser questionada se o partido estaria pacificado, explicou: “A política não tem que ser de ‘irmãozinhos’, mas tem que ser uma política de diálogo, você não constrói nada no conflito”.

Rose assumiu a direção estadual do MDB em março de 2021, ao voltar para a legenda após uma breve passagem pelo Podemos (onde ficou dois anos). A missão de Rose era pacificar e reestruturar o partido, que estava em pedaços por conta de brigas internas (Lelo Coimbra x Marcelino Fraga) pelo comando. A ideia era que o partido chegasse forte na eleição de 2022.

Mas, nem tudo saiu conforme o esperado. O MDB não teve chapa para a disputa federal, não elegeu ninguém para deputado estadual e Rose, a grande aposta do partido, perdeu a reeleição. O partido ainda sofreu a debandada de lideranças históricas, como os ex-deputados Hércules Silveira e Luzia Toledo e o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon.

Rose diz que tem feito filiações, de lideranças importantes e até de prefeitos. Mas não revelou os nomes dos novos emedebistas. Questionada se teria quadros da Grande Vitória, a ex-senadora riu e não respondeu.

Audifax e Pazolini

Nos últimos dias, o nome do ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (ex-Rede) tem sido ventilado como um possível futuro filiado da sigla. Audifax não fala se vai disputar a Prefeitura no ano que vem, mas tem dado sinais de que é candidatíssimo.

Recentemente, publicou nas redes sociais um vídeo com diversas críticas à gestão na área da saúde do atual prefeito, Sergio Vidigal (PDT). Ontem, visitou o bairro Feu Rosa e postou foto com eleitoras.

Porém, Audifax deixou a Rede por não concordar em apoiar Casagrande no segundo turno da campanha eleitoral do ano passado. Hoje, o MDB faz parte da base aliada do Palácio Anchieta. Se realmente Audifax entrar no partido, das duas uma: ou ele vai recuar em seu posicionamento contrário ao governador ou então vai mexer os pauzinhos para tomar o comando do MDB e dar um novo rumo à legenda.

Um outro burburinho no mercado político seria também de uma possível filiação do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Embora negue que queira deixar a legenda, lideranças do Republicanos já disseram à coluna que a relação do prefeito com o partido não é das melhores. Rose, porém, disse nunca ter tratado sobre esse assunto com Pazolini.

Em tempo: No meio da entrevista, o prefeito de Afonso Cláudio, Luciano Pimenta (PP), interrompeu e rasgou elogios à ex-senadora: “Quero deixar registrado na entrevista que a senadora é a que mais trabalha pelos municípios do Espírito Santo”, disse.

A fala corrobora o que a coluna noticiou na última segunda-feira (10): que prefeitos estão sentindo falta de políticas municipalistas por parte dos senadores capixabas.

 

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