Conselhos para o Jovem Empreendedor

O artigo de Gabriel Rossi vem em boa hora. Atualmente, sob coordenação do Professor Herbert Carneiro do Centro Tecnológico da UFES/Departamento de Engenharia de Produção, acontece uma série de palestras na temática do empreendedorismo que começaram no início de setembro e vão até meados de Dezembro para os alunos dos últimos anos das engenharias da universidade. Serão ao todo 15 empresas cujos dirigentes empreenderam e apesar das dificuldades enfrentadas estão agora colhendo os frutos das experiências vivenciadas.

GAF_2017.09.12_23h36m50s_001_Na foto, palestra do jovem empreendedor Franco Machado da empresa MOGAI que desenvolve seus produtos na área da tecnologia. O tema abordado foi Inovação e Empreendedorismo nesta última segunda feira para um público de mais de 120 alunos

Vamos ao artigo do Consultor e Professor, Gabriel Rossi.

Qual a idade ideal para começar a empreender? Maturidade é a métrica e isso varia. Sendo assim, é possível afirmar que não exista uma fase certa para lançar-se neste universo.

O meu conselho é para que empreendam quando tiverem conhecimento plausível sobre o mercado, assim como capacidade de tomar decisões frias e racionais. O jovem empreendedor sério é caracterizado pela vontade de sempre aprender, resistência e essência vencedoras. Esses são os alicerces sine qua non para quem deseja prosperar, principalmente quando a conjuntura é desafiadora.

Cinco dicas importantes para quem está iniciando na vida do empreendedorismo:

1- Cuidado com a falta de construção da marca – Há a impressão que criar uma marca forte é algo complexo demais para ser desenvolvido, porque a estratégia precisa ser bem estruturada. A marca funciona como atalho para o consumidor e ela é o maior patrimônio de qualquer empresa perene.

GAF_2017.02.28_18h41m31s_001_2- Glamour – Muitos inovadores mambembe pensam que apenas uma ideia é suficiente para criar uma empresa. Outro erro grave. É essencial colocar a mão na massa, tomar a frente do negócio, batalhar. O trabalho em uma startup é tão árduo quanto em qualquer outra empresa. Arregaçar as mangas é fundamental. Egos também devem ser deixados de lado. Brigas entre fundadores são comuns. Portanto, escolher o sócio correto – com objetivos similares – é fundamental. Depois do “casamento”, a separação entre sócios só gera dificuldades.

3- Momento errado para lançar – O empreendedor deve saber o exato momento de lançar sua marca e produto. A ideia pode ser boa e o dinheiro pode estar no caixa, mas é essencial não perder a oportunidade de entrar no mercado. Se o momento está conturbado – com a economia do país em baixa, por exemplo -, vale esperar ou tirar vantagem disso?

4- Desconhecimento do mercado – Já é um “mantra” do marketing o fato de ser fundamental antecipar a necessidade do consumidor. Mas isso é impossível diante do desconhecimento do mercado. Só se conhece a futura necessidade do consumidor com estudo completo sobre a área que a startup está ingressando. E os estudos devem ser profundos.

5- Falta de público-alvo – É preciso decidir qual público atingir, estudar suas características e conhecê-lo a fundo. Com este perfil em mãos, o empreendedor não apenas saberá com quem está falando, mas como e o que falar e por quais ferramentas. Geralmente uma startup nasce de uma ideia – e o mentor dela não se preocupa com quem “falar”. É preciso focar em determinado públicos.

Os alicerces fundamentais para a sobrevivência de qualquer negócio são os seguintes: lucratividade, confiança do consumidor, crescimento e proteção aos riscos. Diluir as associações positivas de qualquer marca é um ato de suicídio. No cenário de hoje, é ilógico e arriscado as marcas mentirem para seus clientes.

Mais do que um momento de desafio, tratar a economia atual como uma oportunidade é ter uma visão positiva, mas também real.

Tradicionalmente, o setor de beleza não sofre grande impacto com incertezas econômicas. São produtos menos duráveis e por isso os consumidores precisam repor constantemente, o que acaba energizando o setor continuamente.

O setor de saúde, por questões estruturais, também vislumbra boas perspectivas de crescimento no longo prazo. Isso acontece porque o envelhecimento da população aumenta a demanda por esse serviço.

O ramo da educação é outro que mostra resiliência. Investimentos são atraídos para esse segmento pois ele exige um aporte inicial preponderantemente baixo se comparado com setores como o da construção civil.

Ademais, em tempos de economia colaborativa, vencerão os empreendedores criativos que pensarem em produtos e serviços que possam ser compartilhados, tenham durabilidade e se fortaleçam com as comunidades digitais.

Lembre-se de que o novo consumidor não se preocupa mais em ser dono das coisas, mas ter acesso às coisas. A tendência veio para ficar, especialmente porque é regida por três grandes forças: social (as pessoas compartilham mais, por exemplo), econômica (escassez de recursos) e tecnológica (ascensão de uma geração que cresceu com a internet e se conecta com outras pessoas em proporções muito maiores do que antes).

Empreender no Brasil é duríssimo mas é possível. Foque em janelas ao invés de espelhos.

*Gabriel Rossi é Diretor da Gabriel Rossi Consultoria de Marketing e Professor da ESPM

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