Cinco atos que mostram que a disputa pela Prefeitura da Serra já está a todo vapor

Prefeitura da Serra

Oficialmente, nenhum político admite que já está se articulando para uma eleição que só vai ocorrer daqui a um ano e meio. Até porque ninguém quer se queimar antes da largada. Mas, nos bastidores, as movimentações estão a todo a vapor, principalmente para a disputa das principais prefeituras do Estado, como a da Serra.

Fora dos holofotes, o debate é intenso. Já publicamente, ele vem embalado por um discurso na tribuna da Assembleia, pelos atos do presidente da Câmara do município, pela movimentação de quem tem a máquina do Executivo nas mãos, pelas reuniões que se deixam fotografar e pelos embates nas redes sociais.

São muitas as articulações que têm ocorrido no município e a coluna De Olho no Poder lista cinco atos que demonstram que o jogo eleitoral já começou na Serra.

1 – Vandinho fora da presidência da Ales

Há pouco mais de um mês, o deputado Marcelo Santos (Podemos) era eleito como presidente da Assembleia Legislativa. Ele disputou em chapa única após receber a benção do Palácio Anchieta, em detrimento do deputado Vandinho Leite (PSDB).

O tucano chegou a aglutinar um maior número de apoio entre os deputados, mas isso antes do governo anunciar, publicamente, sua predileção. Um dos motivos alegados pela Casa Civil para apoiar Marcelo foi que ele teria se comprometido a não disputar a Prefeitura de Cariacica no ano que vem. Prefeitura essa que tem à frente um aliado do governo – o prefeito Euclério Sampaio (União).

Vandinho Leite / crédito: Ellen Campanharo

O reduto eleitoral de Vandinho é na Serra, ele foi candidato a prefeito em 2020, ficou em terceiro lugar, e nada o impede de ser candidato no ano que vem. A questão é que, hoje, o prefeito do município, Sergio Vidigal (PDT), é aliado de primeira hora do governador e há outros possíveis concorrentes à Prefeitura da Serra que fazem parte da base aliada.

Nos bastidores, é conhecida a história de que teria ocorrido uma pressão, dentro e fora da Ales, para que Vandinho não fosse eleito presidente. A leitura era que o deputado e o PSDB, no comando do Legislativo Estadual, se fortaleceriam para 2024, o que levaria outros aliados que o governo tem no município a baterem, indignados, na porta do Palácio Anchieta.

A escolha de Marcelo para a presidência da Ales foi só por conta do imbróglio da disputa municipal da Serra? Não. Mas esse ponto contou bastante na decisão. E não é do interesse do governo ter dificuldades com diversos aliados agora.

2 – O embate Xambinho x Muribeca

Os deputados Pablo Muribeca (Patriota) e Alexandre Xambinho (PSC), que são também ex-vereadores da Serra, protagonizaram um embate nos discursos da Assembleia no final de fevereiro. O tema oficial era a questão da saúde do município. O extraoficial, a eleição.

Xambinho e Muribeca / crédito: Ales

Xambinho, que anda meio desgostoso na relação com o governo do Estado, fez um discurso defendendo Vidigal, de quem é aliado, e culpando o governo pelos problemas de saúde na Serra. Pela superlotação das UPAs, por exemplo, Xambinho responsabilizou o fechamento do Pronto-Socorro do hospital Jayme dos Santos Neves.

Muribeca, por sua vez, subiu à tribuna em seguida e rebateu o colega de plenário. Ele voltou a criticar a gestão da saúde do prefeito Vidigal, como tem feito desde o início da legislatura, e ainda mirou em Xambinho ao cobrar a assinatura dele na Frente Parlamentar que pretende tratar do tema no Estado. O clima ficou estranho entre os dois.

Xambinho disputou a Prefeitura da Serra em 2020 e ficou em quarto lugar, com 5,62% dos votos válidos. Muribeca, que foi eleito no ano passado com 24.555 votos, já anunciou aos quatro cantos, inclusive ao governo, que vai disputar a prefeitura no ano que vem.

3 – O anúncio de Vidigal

No último dia 28, o prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), anunciou, em entrevista para a coluna, que não vai disputar a reeleição. Vidigal está em seu quarto mandato e deve encerrar sua carreira como prefeito no ano que vem.

Mas isso não significa que ele não estará no processo eleitoral. Pelo contrário. Em entrevista à coluna, ele disse que vai tentar eleger um sucessor para defender seu legado e o projeto do PDT na cidade.

Sérgio Vidigal / crédito: Prefeitura da Serra

Disse que ainda não escolheu um nome, que pode ser qualquer um dos secretários, um vereador ou alguém que reúna “melhores condições para governar a Serra”. Mas a entrada do jornalista Philipe Lemos (PDT) no secretariado aumentou a bolsa das apostas.

Philipe tentou se eleger deputado federal, conquistou 45.260 votos, mas não conseguiu uma cadeira porque faltou votos para a legenda. Ele nunca atuou no serviço público, mas agora, como secretário, deve ser “testado” pela gestão, ganhar visibilidade e, se conseguir se viabilizar, ser um potencial candidato para a disputa.

Vidigal aposta numa transferência de votos para o seu escolhido, mas estar fora das urnas no ano que vem mexe com o tabuleiro político e atiça antigos players. O ex-prefeito Audifax Barcelos (sem partido), por exemplo, que o mercado político já dava como certo sua aposentadoria da Prefeitura da Serra, tem batido cartão na cena política do município.

4 – As movimentações de Audifax

Na última sexta-feira (03), o ex-prefeito Audifax se encontrou com o presidente da Câmara da Serra, Saulinho da Academia (Patriota). Segundo o vereador, foi um encontro casual, para discutir “os desafios e o futuro da Serra”.

“Aqui é uma casa de leis plural e democrática. Qualquer um que queira vir aqui para dialogar em prol da cidade sempre será bem-vindo. Audifax é uma autoridade, foi prefeito três vezes e conhece muito da Serra. Com muito respeito, foi recebido”, disse o presidente ao ser questionado pela coluna.

Audifax Barcelos

Audifax tem rodado a cidade. Logo após perder a eleição para governador, em que ficou em 4º lugar com 135.512 votos, Audifax anunciou sua saída da Rede e apoio ao ex-candidato Carlos Manato (PL) para o segundo turno. Teve uma atuação tímida no segundo momento da campanha e, depois, mergulhou.

Agora, parece ter voltado às ruas num movimento que lembra muito o que fez antes de anunciar sua candidatura ao governo do Estado. Tem conversado com lideranças, feito postagens temáticas em redes sociais e visitado comunidades.

Questionado pela coluna se viria como candidato a prefeito no ano que vem e por qual partido, Audifax, porém, não respondeu. No mercado político é certo também que, ainda que não dispute, o ex-prefeito fará parte do processo eleitoral.

5 – A confusão na Câmara da Serra

E é claro que os embates eleitorais no município não passariam despercebidos pela Câmara de Vereadores, onde normalmente a temperatura já costuma ser elevada.

Na semana passada, o deputado Muribeca foi expulso do plenário da Câmara pelo presidente, Saulinho. O deputado acompanhava a sessão quando o presidente pediu sua retirada. Detalhe: os dois são do mesmo partido.

“Peço aqui, por favor, com toda educação, a retirada do deputado Pablo Muribeca aqui do plenário. Não foi convidado pela presidência e aqui não é bagunça, entendeu? Aqui não é esses lugares que você vai. Aqui é uma casa de leis, aqui se entra quando é convidado. Desde já agradeço a sua compreensão”.

A atitude gerou perplexidade em alguns vereadores e rendeu uma nota de repúdio do presidente da Assembleia, Marcelo Santos (Podemos), que saiu em defesa do deputado. A Câmara da Serra também rebateu a nota com uma outra, publicada no site do Legislativo.

Muribeca disse que não fez nada que pudesse provocar sua expulsão do plenário. Que apenas acompanhava a sessão. Após deixar o plenário, ele continuou na Câmara, mas da galeria. Ele disse que os “ânimos andam acirrados” por conta das eleições do ano que vem.

Saulinho é aliado de Vidigal, mas nega que a atitude de retirar o deputado (adversário do prefeito) da Casa tenha sido motivada por questões eleitorais. Ele diz que apenas cumpriu o regimento, porque o deputado não foi convidado para estar no plenário.

Muitas outras movimentações têm ocorrido e o cenário começa a ser formado. Ainda é cedo para cravar quem serão os protagonistas do jogo, mas uma coisa é certa: a disputa eleitoral na Serra promete embates acalorados. Como sempre!

 

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