“Não abro mão por nada”, diz 1º suplente de Goggi sobre vaga de vereador em Vitória

Baiano do Salão na Câmara de Vitória / crédito: divulgação

Se o vereador de Vitória Anderson Goggi (PP) tem como condição para se tornar secretário de Cultura da capital que seu 1º suplente não sente em sua cadeira na Câmara de Vitória, Goggi pode ir se despedindo, por antecipação, do posto no 1º escalão da prefeitura.

Isso porque Baiano do Salão (PTB), que teve 1.723 votos – 13 a menos que Goggi e ficou na 1ª suplência –, não pretende abrir mão da vaga na Câmara de Vitória, caso o vereador se licencie para assumir eventual posto no secretariado da gestão Pazolini.

A coluna noticiou ontem (22), em primeira mão, que Pazolini convidou o PP para integrar a gestão e que foi oferecido ao partido a pasta da Cultura. Como o presidente do PP de Vitória, Marcos Delmaestro, atua na Casa Civil do governo do Estado, Goggi – único vereador da legenda em Vitória – é o cotado para assumir a pasta caso o acordo seja mesmo selado.

Porém, para dizer o “sim” no altar, o vereador apontou algumas condições. A primeira seria ter autonomia à frente da pasta, para formar sua equipe e tocar, a seu jeito, a questão do Carnaval. Goggi defende que o poder público invista no evento.

Outra questão é que ele não quer que o 1º suplente, Baiano do Salão, assuma a cadeira de vereador em seu lugar. Quer que a vaga fique para o 2º suplente, Ronalt Ribeiro (PTB). Ele alega que Baiano não o ajudou na período eleitoral do ano passado, tendo feito campanha para Denninho Silva (União), que foi eleito deputado estadual.

“Nós demos a oportunidade dele ser vereador e na campanha ele ajudou Denninho a se eleger. Então, se for para ele assumir a cadeira, fica complicado”, disse Goggi à coluna, ontem. Baiano, porém, rebateu Goggi e disse ter ajudado Denninho por gratidão.

“Acabou a eleição (em 2020) e simplesmente o Anderson Goggi não fez nenhuma parceria comigo, nenhuma conversa. Mesmo eu sendo o primeiro suplente, ele não me levou para o gabinete dele. Quem me levou para o gabinete foi Denninho. Então, natural que eu ajudasse o Denninho na eleição. Foi uma forma de gratidão. E, juridicamente, legalmente, não há nada que obrigue o suplente a ajudar o mandatário, o suplente é livre para escolher quem ele quer ajudar”, disse Baiano.

De junho a dezembro de 2021, Baiano atuou como assessor técnico no gabinete de Denninho. Em agosto de 2022 assumiu, por dois meses, a cadeira de vereador no lugar de Goggi, que se licenciou para focar na campanha de deputado estadual.

Como Goggi não conseguiu se eleger deputado, voltou para o mandato de vereador e Baiano, ao deixar a Câmara, foi nomeado numa assessoria especial na Casa Civil do governo do Estado, onde está até hoje.

“Se ele for para uma secretaria, o direito é meu de assumir o mandato e vou assumir normalmente. E se ele não for para a secretaria, eu continuo sendo o Baiano do Salão, desenvolvendo o meu trabalho na região do Bairro da Penha, com muito louvor. Estou muito tranquilo”. Baiano disse que não abre mão de um eventual mandato na Câmara por nada.

“Não é o Goggi quem define quem irá assumir em seu lugar. Ele tem que seguir a lei e a lei diz que a vaga é do primeiro suplente. Só se eles me matarem para eu não assumir. A não ser por isso, não abro mão por nada. Nem se o presidente me pedir”.

Chamado ao gabinete

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Ontem, ao dar entrevista para a coluna, Goggi disse que tinha sugerido ao prefeito Pazolini oferecer também um cargo para Baiano, para que ele desistisse de assumir a cadeira na Câmara de Vitória e a vaga ficasse para Ronalt, que teve 828 votos em 2020 e ficou na 2ª suplência.

Baiano disse que foi chamado pelo prefeito Pazolini para uma reunião – que teria ocorrido na última quinta-feira (18). “O prefeito me chamou para conversar com relação à composição e a apoio no ano que vem. Falou do interesse dele de disputar a reeleição e me perguntou se eu tinha o interesse de ir para a gestão, porque seria importante ajudar no desenvolvimento da cidade. Mas não falou em qual posto”, contou Baiano, que deu mais detalhes do encontro:

“Não foi falado sobre abrir mão do mandato, inclusive, falei para ele que se o assunto girasse em torno disso era para desistir, que eu não iria abrir mão. O prefeito disse que iria conversar com o Anderson e depois voltaria a falar comigo. Sou formado em Direito, já atuei em diversos lugares, tenho vasta experiência. Fiquei de estudar com meu grupo e o grupo não quer que eu abra mão do mandato. Na política, tudo é conversado, mas, por enquanto, meu objetivo é voltar para a Câmara”.

Goggi foi eleito vereador pelo PTB, mas deixou o partido no ano passado após uma confusão medonha envolvendo o comando nacional da legenda. No Estado, o PTB mudou de mãos algumas vezes e, por fim, apoiou a candidatura ao governo do ex-deputado Carlos Manato (PL). Goggi, então, foi para o PP, mas sua cadeira de vereador pertence ao partido pelo qual ele se elegeu em 2020.

A decisão sobre se o PP assumirá ou não uma pasta no primeiro escalão da Prefeitura de Vitória deve ocorrer nessa semana ou, no máximo, até o próximo dia 5.

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