Tropas iraquianas lançam nova ofensiva para retomar Mossul

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Bagdá - As forças iraquianas se aproximaram neste domingo da histórica cidade velha de Mossul, num movimento que se espera ser a fase final e mais intensa da luta para retomar a segunda maior cidade do Iraque, atualmente sob o controle do Estado Islâmico. A ofensiva, apoiada pelos EUA, começou logo após o nascer do sol, com tropas avançando na Cidade Velha de três lados, disseram autoridades militares iraquianas.

"Com a bênção de Deus, o exército, as forças antiterroristas e a polícia federal começaram a entrar na Cidade Velha para libertar o que resta do lado ocidental de Mossul", disse o tenente-general Abdul Amir Yaralla, comandante de operações na província de Nínive.

A luta deve marcar o estágio mais pesado e sangrento do combate de meses pela retomada de Mossul, porque o distrito de Cidade Velha é uma área densamente povoada, com ruas estreitas e becos, o que provavelmente exigirá uma ação casa a casa para expulsar os militantes islâmicos.

"Com certeza, Daesh vai lutar de forma feroz, pois este é o seu último lugar", disse o tenente-general Abdul Ghani al-Assadi, comandante da força de antiterrorismo do Iraque, as forças especiais do país, usando outro nome para o Estado Islâmico. "Mas levamos em consideração que o lugar é densamente povoado, as ruas são estreitas e explosivos podem ser colocados pelo inimigo".

O exército iraquiano informou que deu aos combatentes do Estado Islâmico a possibilidade de se renderem por meio de anúncios de alto-falante no campo de batalha. Mas as forças iraquianas e americanas disseram anteriormente que esperam que os militantes continuem lutando.

Os combates para a retomada de Mossul começaram em outubro passado, com militares iraquianos e tropas curdas avançando em áreas rurais e aldeias periféricas principalmente a leste da cidade. Apesar das baixas entre as tropas, eles fizeram progressos relativamente rápidos antes de entrar efetivamente na cidade.

Com o apoio aéreo da coalizão liderada pelos Estados Unidos, incluindo uma nova política de Washington que permitiu a presença mais visível de tropas americanas, as forças iraquianas retomaram o lado leste da cidade no final de janeiro. Em fevereiro, cruzaram o rio Tigre, que divide a cidade ao meio, e começaram a espremer o Estado Islâmico nos bairros mais densos de Mossul. Os combates diminuíram nas últimas semanas, à medida que as tropas iraquianas se envolviam em amargas batalhas de rua nos bairros adjacentes à Cidade Velha.

As tropas iraquianas tiveram dificuldade para avançar nas ruas atoladas de carros abandonados, casas armadas e atiradores escondidos do Estado Islâmico, enquanto tentavam evitar atingir civis usados como escudos humanos pelo grupo extremista.

Cerca de 100 mil civis permanecem na Cidade Velha, de acordo com as estimativas das Nações Unidas. Os combates deslocaram mais de 600 mil pessoas do lado oeste da cidade, segundo a estimativa da ONU, com um grande número de pessoas empurradas para campos perto da cidade.

As forças iraquianas não deram prazo para concluir a operação, embora autoridades tenham elogiado seu lançamento antes do fim do mês mais sagrado do Islã, o Ramadã. "Estes são dias abençoados, estes são os últimos 10 dias do Ramadã e esperamos alcançar a vitória", disse Abdulwahab al-Taee, porta-voz do Ministério do Interior, em um comunicado.

Fonte: Dow Jones Newswires

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