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Arla Foods aposta no mercado brasileiro

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Economia

Arla Foods aposta no mercado brasileiro

São Paulo - A Arla Foods quer aproveitar a expansão do consumo de lácteos no Brasil para impulsionar suas exportações. Parceira da Vigor há quase 30 anos, a cooperativa escandinava recentemente decidiu lançar algumas de suas marcas no mercado brasileiro. A meta é conquistar um nicho disposto a pagar mais por importados de tradição, qualidade e origem. Mirando este segmento, a Arla Foods pretende desafiar a crise econômica no Brasil, que pode atrasar parte de seus planos, para crescer no longo prazo. "Avaliamos a perspectiva para o consumo de lácteos na América Latina e no Brasil para os próximos 15 anos e decidimos que está na hora de entrar com força nestes mercados", afirma o diretor comercial da Arla Foods na Vigor, Kristian Lerche Nielsen, ao Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado.

Originária da Suécia e da Dinamarca, a Arla é a sétima maior companhia de lácteos do mundo em faturamento, segundo o Rabobank. No Brasil, a empresa se desfez no ano passado da sua participação na Dan Vigor, parceria firmada com a brasileira em 1986, em troca de 8% do capital votante da Vigor. Com o acordo, a Arla saiu da Danúbio e teve maior acesso à rede de distribuição da parceira, em linha com seu plano de exportar mais ao País. "Não foi exatamente uma estratégia nova, mas isso nos fez chegar mais perto do consumidor", diz Nielsen. A mudança também permitiu à Arla criar uma unidade de negócios própria dentro da Vigor - e é a partir dela que o diretor coordena os projetos para o Brasil.

Na nova fase, o primeiro passo da cooperativa foi estudar o mercado nacional. "Vimos que há um público no Brasil que busca produtos fabricados de modo seguro e que têm história e qualidade. É um consumidor que se interessa por gastronomia e pelo que se coloca na comida", diz Nielsen. A companhia já fornece insumos à produção por meio de sua divisão de ingredientes, mas a Arla Foods decidiu trazer ao varejo nacional a sua manteiga de 113 anos de tradição, a Lurpak. A cooperativa não informa o desempenho das vendas, mas diz que está focada em fazer brasileiros diversificarem os usos que atribuem ao produto. "Manteiga não é só para passar no pão", ressalta Nielsen.

Para além da manteiga, a Arla está ampliando o portfólio da Faixa Azul da Vigor com seus queijos da marca Castello, produzidos desde 1893 na Dinamarca. Antes, a distribuição dos produtos que a companhia já possuía no Brasil era feita pela Danúbio. A estratégia visa os próximos anos, já que o País, segundo o Euromonitor International, deve se tornar o quinto maior mercado de queijos até 2020, com faturamento anual previsto em US$ 9,9 bilhões.

Em sua pesquisa, a cooperativa também relata que há mais consumidores brasileiros preocupados com a origem do leite e com o trato adequado dos animais. Produtos orgânicos também estão no radar da empresa. "Eles pertencem a um mercado de nicho, mas como a Arla Foods é uma grande produtora de orgânicos, há a possibilidade de trazê-los para cá", afirma Nielsen.

Crise

Os planos estão mantidos mesmo com a crise econômica que afeta o consumo no Brasil. A cooperativa reconhece que o cenário atual é desafiador, mas diz que seus planos são de longo prazo. "Infelizmente o Brasil é um país que passa muitas vezes por crises, mas essa também será superada. A confiança da Arla Foods no Brasil segue a mesma. Os últimos meses de 2015 não serão fáceis, mas em 2016 o mercado crescerá de novo", diz Nielsen.

Uma das grandes preocupações da Arla é a variação cambial, que pode aumentar ou reduzir a competitividade de seus produtos aos olhos dos brasileiros. No entanto, o diretor comercial diz que o receio número um é a incerteza no cenário político. "Lógico que nos preocupa a valorização do dólar e do euro, mas o principal é a situação política, que pode travar muita coisa", diz. Dentre elas, parte do projeto de expansão. "Vamos atrasar um pouquinho os planos de inserção, já que os produtos importados vão ficar um pouco mais caros. Mas o segmento é um em que o público está disposto a pagar a mais pela qualidade", afirma.

Emergentes

A cooperativa tem o plano ousado de surfar na onda dos emergentes e aumentar em quase 80% sua receita nestes mercados. A divisão da Arla responsável por atender estes países, a Consumer International (CIN), pretende aumentar o faturamento de € 1,4 bilhão em 2014 para € 2,5 bilhões em 2017. Para isso, a CIN aposta na China e na Rússia e está aumentando sua presença não só na América Latina como também no Sudeste Asiático e na Austrália.