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Se juro vai mais baixo ou não, depende da situação fiscal, diz Gustavo Franco

Economia

Se juro vai mais baixo ou não, depende da situação fiscal, diz Gustavo Franco

Franco lembrou que, apesar da baixa, o juro real brasileiro "ainda é talvez o maior do mundo", com inflação a 3,0% e juros a 7,0%

Ex-presidente do BC Gustavo Franco, fala sobre redução de juros

Rio - O ex-presidente do Banco Central e estrategista-chefe da gestora Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco, disse nesta quinta-feira, 7, que a manutenção da taxa básica de juros (Selic, reduzida ontem para 7,0% ao ano) no menor nível da história dependerá da situação fiscal. Franco lembrou que a recuperação da economia e a agenda de reformas tende a ter algum avanço após as eleições de 2018 corroboram a percepção de que o fiscal melhorará.

"Se o juro vai mais abaixo de 7,0% ou não, depende da situação fiscal", disse Franco, após o "II Fórum: a mudança do papel do Estado: estratégias para o crescimento", promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Universidade Columbia.

Franco lembrou que, apesar da baixa, o juro real brasileiro "ainda é talvez o maior do mundo", com inflação a 3,0% e juros a 7,0%.

Segundo Franco, o cenário atual de juros baixos favorece é o momento interessante para acabar com a seletividade do crédito. O ex-presidente do BC citou a substituição da TJLP pela TLP como juros do crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e defendeu que a TR, usada para corrigir ativos de investimento, como a poupança, seja mudada.

'Nova matriz econômica'

Para Gustavo Franco, a "nova matriz econômica", como ficou conhecida a estratégia de política econômica dos governos da ex-presidente Dilma Rousseff, encontrou instituições monetárias fortemente colocadas para resistir, diferentemente do que aconteceu no lado fiscal.

Os seguidos déficits primários nas contas públicas resultaram em endividamento explosivo e recessão, consequências não tão graves quanto a hiperinflação, ocorrida em outras crises. "O colapso do resultado primário a partir de 2011, 2012, foi uma lástima. Uma tolice autoinfligida que não teve nada de acidental", afirmou Franco, em palestra durante "II Fórum: a mudança do papel do Estado: estratégias para o crescimento".

Já o sistema de metas de inflação resistiu mais fortemente, segundo Franco. O economista chamou atenção para o fato de que "o sistema de metas de inflação e o próprio Copom têm uma base legal muito frágil". O sistema de metas, por exemplo, é estabelecido por um decreto presidencial. A ex-presidente Dilma poderia, portanto, revogá-lo, mas não o fez.

"Daí a força de uma ideia estabelecida. Ela se torna um costume, mais forte que lei", afirmou Franco.

O ex-presidente do BC destacou que o arcabouço legal do Copom é "mais frágil ainda". Segundo Franco, uma das medidas do Plano Real, em 1994, foi reduzir o escopo do Conselho Monetário Nacional (CMN), tirando a política monetária de sua esfera e passando para o BC. O Copom foi criado por decisão do próprio BC.

"O Copom existe por uma decisão da diretoria, sua força normativa é uma circular. A ex-presidente Dilma Rousseff poderia ter mudado sua composição e ter incluído representantes dos sindicatos ou da Fiesp", disse Franco.