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'Khumba' faz do mesmo experiência inusitada

Entretenimento

'Khumba' faz do mesmo experiência inusitada

São Paulo - Boa parte da crítica está falando mal de Khumba - 3D. A animação do sul-africano Anthony Silverston não é nenhuma Ratatouille - nem mesmo o delicioso Como Treinar Seu Dragão 2, atualmente em cartaz -, mas possui seu encanto. É uma história de rito de passagem e de autoaceitação. Vocês, e muito menos as crianças, não vão fazer esforço para constatar que partes dessa história já foram vistas antes em Madagascar e A Era do Gelo. Mas não é originalidade que os detratores cobram em Khumba. Se fosse um quesito tão decisivo, ninguém ia perder tempo com livros e filmes como os das séries Jogos Vorazes e Divergente.

Se o público ama esses filmes, é porque encontra seus motivos. Tudo bem que a encenação ‘nazista’ do segundo Jogos (Em Chamas) é brega, mas deixando a irritação de lado é possível encontrar qualidade na interpretação de Jennifer Lawrence. Ou na de Shailene Woodley em Divergente. No caso de Khumba, o maior desafio do diretor foi, com certeza, a técnica. A África do Sul não possui uma grande tradição cinematográfica, e menos ainda uma tradição na animação. Fazer um desenho com qualidade técnica não é coisa fácil, e menos ainda com a nova tecnologia 3-D. Khumba é bem realizado e encara com competência desafios que John Lasseter, na Pixar, e Carlos Saldanha, na Blue Sky, sabem ser difíceis.

Animar a água, ou plumagens, ou pelos, exige programas que os grandes estúdios só dominaram depois de anos. Silverston e sua equipe começam Khumba com o voo de um inseto falante que antecipa para o público o que ele vai ver. Ele até se apressa a esclarecer que não é o protagonista da história (e nem vai ter muita importância). Quem vai mudar o mundo é um filhote de zebra que nasce numa comunidade fechada. As zebras isolaram seu lago e vivem ali em auto-segregação. Fora dos muros, que não são bem muros, mas cercas de espinhos, há todo um mundo do qual seus habitantes se isolaram.

O nascimento de Khumba vai colocar esse mundo em perigo. Ele nasce ‘meio’ zebrado e a falta de listras origina o preconceito. É considerada má sorte. Vem a grande seca, a mãe de Khumba morre. Ele ouve falar de um lago mitológico, no qual poderá adquirir as listras que lhe faltam. Cai no mundo, acompanhado de um avestruz e uma gnu. Seu pai, como o de Nemo, vai atrás. A zebrinha que o ama, também, e convence o coletivo a ir com ela. Enfrentam um perigo maior que o grande deserto e a seca - o tigre de um olho só, que persegue Khumba como o jovem zebra persegue o mítico lago. Se a história mistura várias tramas, a técnica tem de expressar água, céu, névoa do olhar (do tigre), miragens do deserto. Para quem entra no clima, a fábula de direito à diferença fica bem simpática. E tudo isso com uma trilha rica de instrumentos ‘locais’ (mas que lembra O Rei Leão). Ricardo Faro, Sabrina Sato e Marco Luque são os dubladores. Ela exagera no sotaque, eles são discretos. A criançada identifica Sabrina na Mama V e faz a festa. Reclamar do quê? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.