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Candidato, Citadini diz: 'A diretoria do Corinthians pensa como clube pequeno'

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Esportes

Candidato, Citadini diz: 'A diretoria do Corinthians pensa como clube pequeno'

Aos 68 anos, revelou à reportagem do Estado que tentará a eleição pela última vez

São Paulo - Antônio Roque Citadini aparece como um dos nomes mais conhecidos do torcedor do Corinthians dentre os candidatos à presidência do clube. Com frases polêmicas, folclóricas e personalidade forte, ele cansou. Aos 68 anos, revelou à reportagem do Estado que tentará a eleição pela última vez.

Após Felipe Ezabella, Romeu Tuma Júnior, Andrés Sanchez e Paulo Garcia, o Estado encerra nesta sexta-feira, com Citadini, a série de entrevistas com os candidatos ao pleito que será disputado neste sábado. Jurista, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e vice-presidente do clube entre 2001 e 2004, ele fala dos planos de sua candidatura.

Por que você se considera o melhor candidato?

Eu não diria que sou o melhor candidato, mas eu acho que tenho condições de fazer o Corinthians enfrentar seus problemas. Eu tenho história no clube.

O que te fez voltar a tentar ser presidente?

Eu nunca estive longe da política do clube. A questão é que o Corinthians você não abandona nunca, até porque o Corinthians é algo que entra em você e você que se vire para lidar com isso.

Qual é a primeira coisa que você pretende fazer quando for presidente?

Eu ganho a eleição, no dia 4 já quero empossar quase toda a diretoria e dia 5 já faremos reunião da diretoria com transmissão pela internet. Pode se preparar, pois, enquanto você vê a novela, você vai ver a reunião da diretoria também.

Isso é uma promessa de campanha?

Sim, é.

O Corinthians tem enfrentado problemas financeiros nos últimos anos. Como lidar com isso?

Precisamos chegar em um equilíbrio entre o gasto e o que se arrecada e aumentar a receita de marketing, que hoje é zero. Não temos propaganda. Temos que nos adaptar para parar de adiantar coisas. Prorroga o contrato da Nike, Globo... Tudo isso é antecipação de receita.

Tem receio de chegar lá e ver que as contas estão zeradas?

Receio, não. Eu tenho certeza. Ou melhor, se estiver zerado, até está bom. Eu vou encontrar um passivo grande, não tenho a menor dúvida. Vamos receber muita dívida.

Dos cinco candidatos à presidência, todos têm direta ou indiretamente ligação com a situação. Acha que é muito candidato?

Creio que o desfazimento da situação causou isso. A situação está em processo de decomposição. Historicamente, teria menos candidato, mas você tem um processo de enfraquecimento da situação, que acaba gerando essas candidaturas em excesso. Muitas delas têm coisas da antiga situação. A minha mesmo, um dos meus vices é da (chapa) Renovação e Transparência. A chapa do Ezabella é claramente de pessoas que vieram de lá. O Tuma, os vices vieram de lá e o Paulo, os dois são diretores dessa gestão.

E a falta de transparência tão criticada? Como solucionar?

O clube tem que obter o hábito de transparência e temos que tomar medidas audaciosas. Eu defendo que o clube, toda reunião, na segunda-feira, às 20h, seja transmitida pela internet. Eventualmente uma outra, que seja coisa de salário, contrato, a gente não fará transmissão, mas 99% das questões podem ser públicas. Estamos discutindo se devemos ou não fazer a pré-temporada na Flórida. Por que não discutir isso abertamente? Temos que ter mais que acesso a informação, tem que ter uma permanente informação.

Aceitaria uma parceira investimento alto, como o Corinthians já teve e hoje temos a Crefisa no Palmeiras?

Temos experiência de várias parcerias. Isso não é fácil. Em geral, no começo dá tudo certo e depois começam a aparecer os problemas e vira um problemão. Parceria assim não é uma boa. Temos que buscar outro time de negócio.

A Arena Corinthians é um problema a ser administrado ou um negócio que precisa ser melhor gerido?

A arena é uma grande solução, não podemos negar o que ela faz para o futebol, mas o negócio da arena é uma dificuldade muito grande para o Corinthians. Temos que lutar para preservar a arena e melhorá-la, pois a torcida adora lá. Basta ver que jogos no Pacaembu não tem torcida e estamos falando de um time que leva 40 mil todo jogo na arena.

Mas como é possível resolver isso?

Pagar a gente vai demorar muito tempo. Resolver a estrutura do negócio, dá. É conversar com a Odebrecht e com os outros. Não precisa de muito tempo. O estádio foi inaugurado em 2014, para a Copa, e até hoje essa diretoria não resolveu questões básicas, pois falta o Corinthians dar o primeiro passo. É o clube que precisa buscar a solução dos problemas.

A venda dos naming Rights do estádio é algo possível?

Isso foi um desgaste enorme para o Corinthians, pois o naming rights foi usado para fazer política no Corinthians. Toda crise, aparecia um eminente acerto com alguma empresa. Isso desgastou o clube no mercado. Tantas empresas foram citadas e receberam propaganda sem pagar nada. Tem uma companhia de avião que deveria até pagar para a gente pelo tanto que falamos dela. Isso enfraquece qualquer negociação. Vamos levar esse assunto de uma forma mais séria, assim como precisamos ver a questão do patrocínio de camisa.

E nos preços dos ingressos e no programa de sócio-torcedor, pretende fazer mudanças?

O programa de sócio-torcedor é positivo. Só precisamos encontrar uma solução para a Omni, para começar a dar dinheiro para o clube. Os programas de sócios são bons. Falam que o clube retrocedeu, pois voltou a fazer ingressos impressos. A Omni, tecnicamente, é algo velho, que tem problemas de modernização. Precisamos ver isso.

A Arena Corinthians não poderia ter um setor popular, mais barato?

Acho que não podemos abandonar o torcedor de baixa renda, mas temos que pensar em outras coisas. Na verdade, o que não aceito é clássico de torcida única. Temos que ir ao Ministério Público e à Polícia Militar e falar que o futebol vai morrer assim. O clube pode melhorar as relações com a torcidas, fazendo área mista. Não tem torcedores de Corinthians, Palmeiras e São Paulo que conseguem assistir ao jogo na mesma área? Era assim no passado.

Mas como evitar que vândalos entrem nesses setores e criem confusão?

Você tem que acreditar no ser humano. Não podemos fazer espetáculo de futebol acreditando que teremos só problemas. Isso é um processo de aprendizado. Eu já fui em jogos na Europa e todos têm torcida uniformizada, como a nossa, mas tem limite lá. Existem algumas confusões também, mas é bem diferente. Para tentar mudar isso, é preciso ter uma diretoria sem medo.

A diretoria atual tem medo?

Total. Você já viu eles sugerirem algo sobre o assunto? Nós temos a arena mais moderna de São Paulo, abrimos a Copa e estamos retrocedendo porque a diretoria não se posiciona. O Corinthians não comporta ter ingresso vendido fora da internet e zona mista nos estádios. Precisamos mudar isso.

Você tem reclamado que o Corinthians perdeu força fora de campo no cenário brasileiro...

E não perdeu? O Corinthians é o maior clube do Brasil, tem a maior importância para a televisão, temos mais da metade da torcida de São Paulo, mas essa diretoria pensa como clube pequeno. Sempre fomos um clube audacioso e perdemos isso, somos intimidados. Vamos lá, você sabe a opinião do Roberto (de Andrade) sobre alguma coisa? Ele aparece para falar algo? Isso não é só na gestão dele. A marca da Renovação e Transparência é essa. Temos que entender que se o Corinthians ficar calado, os menores ficarão ainda mais em silêncio.

Mas o que você pode mudar sobre isso?

A CBF fez um estatuto que é uma vergonha para os clubes. Ela os rebaixou. O Corinthians vale menos que federações que nem tem campeonato. Eu eleito, vou brigar para que os clubes sejam mais valorizados ou a gente não participa de mais nada da CBF. Quem vai cuidar do futebol brasileiro nos próximos 30, 40 anos são os clubes e não a CBF, que fica fazendo estatuto que é uma vergonha.

Querer brigar com a CBF sozinho não pode ser um desgaste muito grande?

Vai ter retaliação? Isso é bobagem. Não temos dificuldade em ganhar campeonatos e ter estádio bonito. Nossa dificuldade é pensar grande. E também não adianta a CBF querer oferecer cargo. Essa coisa de dirigente de clube aceitar cargo na CBF é coisa de time médio. Para nós, o Corinthians já basta. É mais importante ser presidente do Corinthians do que da CBF. CBF é uma ficção e o Corinthians é uma realidade.

A base do Corinthians tem muitos atletas com direitos econômicos fatiados, como resolver isso?

Essa política da base está completamente errada. Nos últimos anos, a base não deu dinheiro para nós e também não revelamos nenhum Rivellino. Está errado. Essa parceria com empresário não cabe. Para nós, a referência é Barcelona, Juventus, ou seja, 0% do empresário. O jogador que quiser fazer parte da categoria de base do Corinthians tem que ter isso como projeto. Ele sabe que vai jogar no maior clube do Brasil. Isso que oferecemos para ele. O jogador tem que ser 100% nosso. Se o cara quiser, ótimo, que seja feliz conosco. Se não aceitar, vai para outro time.

Isso não pode enfraquecer a base?

Enfraquece nada. Se enfraquecer, e daí? O que temos feito nos últimos anos? Acabamos de comprar um menino de 19 anos (Mateus Vital). Não adianta nada.

Que mudanças fará no futebol. O Alessandro fica?

O Corinthians precisa pensar nas novas gerações de dirigentes. Vamos buscar novas caras, ideias e que passe pela formação no Corinthians. Precisamos criar novos diretores. Quem assume o Corinthians passa ser falado em todos os lugares na hora.

Não acha um pouco contraditório falar em renovação um personagem com tanta história no clube?

Sim, por isso é a minha última eleição. Quero que venha outros. Se eu ganhar, muito que bem, se eu perder, não apareço mais. Minha diretoria também terá novas caras. A gente tem alguns nomes na cabeça, mas ninguém sabe. Nem eles, viu? Eu não prometi cargo para ninguém e nem quero contratar dirigente de outros clubes. Somos melhores do que os outros.

O que pretende fazer no Parque São Jorge e na Fazendinha?

O futebol acabou na Fazendinha. Você abre um grande espaço para ser repensado. Você tem várias ideias, que vão desde criar um local para eventos até uma ideia mais interessante que é fazer um centro olímpico para todos os esportes. A verdade é que precisamos tomar um caminho e vamos estudar o que é o ideal.

Vai investir em outros esportes?

Com certeza. Já tivemos momentos memoráveis no basquete, por exemplo, quando já tivemos um dos melhores do País. Voltamos agora com o vôlei e vamos retomar esses outros esportes.