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"Paro uma cidade para salvar uma vida", diz capitão especialista em ocorrências de suicídio

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"Paro uma cidade para salvar uma vida", diz capitão especialista em ocorrências de suicídio

Capitão Diógenes Munhoz, do Corpo de Bombeiros de SP desenvolveu abordagem utilizada em tentativas de suicídio

Wing Costa

Redação Folha Vitória
Capitão Diógenes Munhoz participou do II Congresso de Prevenção ao Suicídio em Vitória | Foto: Wing Costa

Há 10 anos o capitão do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo Diógenes Munhoz atendia a uma ocorrência de suicídio. O objetivo do profissional de segurança pública era finalizar a ocorrência o mais rápido possível. Passar um tempo maior do que esperava na conclusão da ocorrência despertou no bombeiro militar a reflexão da necessidade de uma abordagem mais humanizada, como ele mesmo descreve.

Hoje, a abordagem técnica a tentativas de suicídio desempenhada por bombeiros militares é responsável por salvar vidas. A mesma abordagem é também responsável por parar o trânsito no local pelo tempo que for necessário para que o tentante desista da ideia de tirar a própria vida.

> Você, atrasaria uma hora para salvar uma vida?

"A gente tem que ter respeito pela face oculta, quando é seu irmão, quando é seu tio, é fácil ter respeito"

"Eu venho de uma megalópole, quando paro uma via de São Paulo, paro um quarto da cidade, mas aquela vida vale parar a cidade inteira um dia inteiro? A gente tem que ter respeito pela face oculta, quando é seu irmão, quando é seu tio, é fácil ter respeito, mas quando mostramos o mesmo respeito e humanização pela face oculta, que a gente não conhece, a gente pararia com facilidade uma cidade", explica o capitão Diógenes, que ministrou curso sobre o assunto no II Congresso Brasileiro de Prevenção ao Suicídio, em Vitória.

Munhoz detalhou que a paciência é um dos principais fatores na utilização da abordagem técnica. "O pior inimigo em uma ocorrência em abordagem técnica é a pressa, a maior virtude do abordador é a paciência. Ele não pode ir para uma ocorrência dessa tentando acabar a ocorrência em um prazo, não pode por prazo pra isso. Já participei de ocorrências que duraram seis horas, tudo ao tempo do tentante. Ele vai desistir, eu tenho certeza disso, mas no tempo dele", determina.

Procure ajuda!

Se você sente algum desconforto emocional, procure ajuda de alguém que possa te ouvir e grupos de apoio que podem auxiliar de diferentes formas. Cuidar do sofrimento e enfrentar a própria dor em tratamentos que envolve profissionais de psicologia e psiquiatria é um ato de sabedoria e muita coragem. Além disso, você pode entrar em contato gratuitamente com o Centro de Valorização da Vida gratuitamente, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Ligue 188. Em Vitória, a rede de Apoio a Perdas Irreparáveis (API) também atua junto a enlutados por lutos complexos e sobreviventes do suicídio. Entre em contato 27 3225 1776