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Pesquisa aponta que uma em cada quatro crianças já foi tratada de forma ofensiva na internet

Geral

Pesquisa aponta que uma em cada quatro crianças já foi tratada de forma ofensiva na internet

O percentual passou de 15% em 2014 para 20% em 2015 até chegar a 23% no ano passado.

Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), de outubro, mediu o comportamento online de jovens. Os dados revelam que, de cada quatro crianças e adolescentes, um foi tratado de forma ofensiva na internet, o que corresponde a 5,6 milhões de meninos e meninas entre 9 e 17 anos. O porcentual cresce ano a ano: passou de 15% em 2014 para 20% em 2015 até chegar a 23% no ano passado.

"Nesse dado [sobre ofensas online], a criança ou adolescente foi exposto a um risco, mas não necessariamente teve alguma sequela", pondera Maria Eugenia Sozio, coordenadora da pesquisa TIC Kids Online Brasil.

A taxa, portanto, nem sempre corresponde a cyberbullying - quando a agressão virtual é repetida -, mas faz soar o alerta para perigos que crianças e adolescentes correm na web e a importância da atenção dos pais.

Efeitos

Segundo especialistas, as ofensas na internet podem ter impacto ainda maior na vida das crianças. "Uma postagem atinge número incontável de pessoas e isso aumenta o sofrimento da vítima. Ela não sabe quem viu ou não", afirma a psicóloga e pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luciana Lapa.

Em casos de agressão na escola, o jovem encontra refúgio em casa. "No cyberbullying, não. Onde quer que ele vá, a agressão vai junto", diz Luciana. Outro problema é a gravidade das ofensas, encorajadas pela distância física da vítima. Também é comum que as agressões partam de pessoas da mesma faixa etária e que fazem parte do convívio.

Para a pedagoga e psicopedagoga clínica e institucional Denise Aragão, as ofensas podem afetar até o desempenho na escola. "As crianças ficam preocupadas em se defender e perdem o desejo de aprender." O uso crescente dos smartphones pelos jovens, com acesso cada vez mais particular, desafia a mediação dos pais.

Apesar de 23% das crianças e adolescentes terem relatado à pesquisa que foram vítimas de ofensas na internet, só 11% dos pais disseram que os filhos passaram por incômodos.

A falta de intimidade de adultos com a tecnologia - enquanto as crianças são nativas digitais - ajuda a explicar a dificuldade das famílias em identificar riscos. "O gap existe, mas é preciso revertê-lo. Uma sugestão é estar disponível, querer saber o que a criança faz na internet", diz Heloisa Ribeiro, da Childhood Brasil, entidade de proteção a crianças e adolescentes. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.